Campinas completa 242 anos de fundação

jul 14 • Cidade, NotíciasNenhum comentário em Campinas completa 242 anos de fundação

CampinasDo traçado do ouro, do caminho de Goiazes, desde os séculos passados, a Campinas de Mato Grosso parece ter sido uma região do globo terrestre predestinada à pujança e à riqueza. Do período rural de Barreto Leme, seu fundador, à era das usinas de cana-de-açúcar e, posterior, aos dias do poderio do café, a partir de 1842, a localidade formada por três campinho – os descampados suaves e amenos, recortados por córregos e riachos refrescantes – evoluiu do pequeno pouso imperial de tropeiros à Vila de São Carlos e à portentosa metrópole da atualidade, concentrando hoje polos de tecnologia e uma população impressionante, envolvida em sua azáfama de cidade-estado, com muitas indústrias, vigorosa área de serviços e universidades de ponta . Uma cidade que possui a força de alguns estados brasileiros! Contribuíram para seu crescimento vários fatores, como a ação dos barões do café, entre 1860 e 1930, na construção de uma cidade com feições europeias, rígida e bela, com seus solares e casarões de taipa, suas ruas românticas, cafés e lojas de vestuários afrancesados. A Catedral, construção monumental que em 1865 assombrou o então tenente-engenheiro Alfredo Maria Adriano d’Escragnole Taunay – o posterior Visconde de Taunay -, na passagem das tropas que, na Guerra do Paraguai, lutaram no flanco Norte, e que por estas terras acamparam durante 65 dias. Taunay, figura estroina à época, mas de família influente junto a D. Pedro II, enviou inúmeras cartas ao pai, pedindo a interferência para a conclusão das obras e dizia que Campinas teria o maior e mais belo templo católico do Império Sobretudo, a ação do prefeito Orosimbo Maia, que, em três mandatos, entre 1908 e 1932, deu-lhe feições humanas e higienistas, construindo praças e jardins, escolas, teatro e impondo à sua população o abandono dos costumes coloniais e a adesão de higiene e de cuidados pessoais. Mas foi, com certeza, a visão futurista e profética do engenheiro Prestes Maia, que na década de 40 estendeu suas réguas sobre a planta da cidade ainda acanhada e rural, para traçar planos viários que, viabilizados nos anos 1970, preparam a cidade para a Era do Automóvel, com vias expressas, pontes e avenidas.. Hoje, colhemos os frutos do trabalho árduo e enérgico de campineiros ilustres que amaram a cidade e a ela dedicaram seus planos de modernização. Vivemos uma metrópole que ainda consegue preservar a qualidade de vida e o conforto, a agilidade nos deslocamentos e a fruição do trabalho e da prosperidade. Contudo, a forte conurbação, o desenvolvimento desenfreado, as correntes de migração, dão sinais de saturação e já exigem um planejamento adequado às novas realidades, um plano de contingenciamento que conte com o apoio das esferas estadual e federal, de investimentos reais, que possam dar equilíbrio ao que começa a se desordenar – sobretudo na área dos transportes de massas, na infraestrutura da saúde e da educação. Os governos superiores precisam olhar para Campinas com o mesmo olhar, preocupação e dedicação daquelas figuras históricas e memoráveis que nos trouxeram a este patamar de desenvolvimento e riqueza. Pela manutenção de uma cidade agradável, rica humanisticamente e histórica!

Por: Luiz Roberto Saviani Rey – Jornalista e Escritor

 

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