Brasil: olimpíadas e jeitinho brasileiro

ago 4 • Economia, EsporteNenhum comentário em Brasil: olimpíadas e jeitinho brasileiro

O planeta voltou os olhos, luzes e câmeras para o Brasil, país gigante e acolhedor e, especialmente para o Rio de Janeiro, cujas tábuas coloridas, morros e ostentação de uma das sete maravilhas do mundo, sedia as Olimpíadas. O Comitê Olímpico Internacional(COI) afirmou, em julho deste ano, que a Vila Olímpica estava “pronta para receber o mundo”, mas com a chegada das delegações notou-se que as instalações não suportaram nem a metade dos atletas previstos para o evento.

A solução não chegou a tempo, já que diversas delegações preferiram deixar a Vila Olímpica e procurarem o mínimo de conforto nos hotéis próximos. Mas antes de decidirem, ouviram respeitosa e atentamente o discurso do prefeito Eduardo Paes sobre “o jeitinho brasileiro e cangurus”, expressão que representa o desrespeito e despreparo na gestão da coisa pública. E mesmo após o pedido de desculpas do prefeito e as gentis palavras nas reconsiderações australianas, a primeira impressão, se não é sempre a que fica, ao menos deixa resquícios.

Há tempos, o esporte carrega também o papel de passar uma mensagem diplomática ou promover a identificação entre o cidadão e o Estado. Assim, qualquer manifestação desajustada do Brasil pode implicar em embaraço no diálogo entre as nações. Os atores da internacionalização do esporte não são somente os atletas, mas também os políticos de governos e partidos, dirigentes esportivos das federações nacionais e internacionais, dirigentes de movimentos olímpicos, esportistas, espectadores, jornalistas e a opinião pública.

O esporte deve ser visto pelo pluralismo, pois evidencia a importância das culturas e, não simplesmente pelo viés da projeção da imagem externa do Brasil. O encontro das culturas é mais intenso do que a demonstração de uma “cultura brasileira” no cenário internacional, haja vista o mundo estar aqui neste momento.

Os urros instintivos do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e, de tantos outros, nos dão uma enorme oportunidade de sairmos da bolsa destes cangurus e pularmos com as próprias pernas para a construção de uma sociedade séria!

 

Prof. Renato Dellova

Cientista Político e Professor Universitário

www.professorrenatodellova.com.br

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