A literatura produzida por escritores negros é tema de evento na Biblioteca Zink, nesta sexta

jun 21 • Arte e Cultura, Livros, NotíciasNenhum comentário em A literatura produzida por escritores negros é tema de evento na Biblioteca Zink, nesta sexta

  O tema “A Literatura Brasileira na Ótica dos Escritores Negros” será colocado em pauta no evento que reúne lançamento dos livros dos escritores Fausto Antônio e Plínio Camillo e roda de conversa com os autores e participações de Junião (cartunista e ilustrador da obra “No Reino das Carapinha”),  Marciano Ventura (editor da Ciclo Contínuo) e da professora Natasha Magno, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. A atividade é aberta ao público e acontece nesta sexta-feira, 22, a partir das 19h, na Biblioteca  Pública Municipal Prof. Ernesto Manoel Zink, em Campinas.
 
“Trazer escritores negros e sua produção literária para o proscênio de nosso debate cultural é evitar a perpetuação da exclusão cultural e incorporar no nosso universo o imaginário estruturante o referencial cultural das tradições afro-brasileiras, tematizando as perspectivas dos valores de quem vivencia e se debate em nosso cenário cultural, contornando o viés único dessa cultura européia, etnocentrista e colonizante”, afirma o especialista cultural e curador do evento, Ronaldo Simões Gomes (Batata).
 
Segundo ele, a literatura produzida por autores negros costuma receber um trato das tradições literárias brasileiras que os condena à escolha por duas alternativas: submeter-se a um processo institucionalizante de branqueamento, onde as temáticas próprias do processo cultural da população negra são relegadas, como bem operou nosso literato mór, Machado de Assis, ou serem relegados a um gueto onde falam apenas para seus pares, como Lima Barreto e Solano Trindade. 
 
“A farta produção poética da comunidade negra, realizada através de suas tradições orais e musicais, é desconsiderada no debate do campo da produção poética da literatura brasileira. Cartola, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola, Itamar Assunção, para citar alguns dos muitos que contribuíram para a configuração de uma poética popular, não são considerados como partícipes do que se deva levar em conta nas avaliações críticas de nossa teoria literária”, reflete.
 
Os escritores
Fausto Antônio
Natural de Campinas, Carlindo Fausto Antônio é graduado em Letras, Mestre em Ciências Sociais Aplicadas à Educação e Doutor em Teoria Literária pela Unicamp com a tese ‘Cadernos Negros: esboço de análise’. Nesse trabalho, aborda criticamente uma trajetória de 27 anos da    publicação coletiva afro-brasileira, que vai de 1978 a 2004, situando-a  histórica e esteticamente. Sua pesquisa descreve e analisa as recorrências presentes na prosa e no verso presentes na série e nas reflexões teóricas desenvolvidas por alguns autores, com o fim de ressaltar aspectos e questões que constituem uma vigorosa rede polifônica de adesão à cosmogonia afro-brasileira e aos lugares das noções textuais da negrura enquanto elo identitário.  
Como educador empenhado na formação do hábito de leitura e na implantação efetiva do ensino da História e da Cultura africana e afro-brasileira, coordenou em Campinas o grupo de trabalho “Memória: Discutindo o Negro na Literatura Infantojuvenil”. 
No momento, atua como professor e coordenador do curso de Humanidades da Unilab – Universidade da Integração da Lusofonia Afrobrasileira – campus dos Malês, em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, região metropolitana de Salvador. 
Sua primeira publicação em livro, Fala de Pedra e Pedra, data de 1986. No ano seguinte, integrou o projeto “Artistas Plásticos pela cidade”, coordenado pelo Museu de Arte Contemporânea de Campinas. Em 1988, participou da Exposição de Poesia Concreta realizada na PUC-Campinas e na Unicamp. 
Em 1989, divulgou seus textos  na exposição “Gestos e Manifestos – Poesia concreta”, que teve lugar no Museu de Arte Contemporânea da cidade. Em 1991, publicou seu segundo livro, “Linhagem de Pedra e de Outra Pessoa”, em que o poeta acerta em cheio no diagnóstico do processo de perda a que está submetido o sujeito na sociedade contemporânea. É também autor do romance “Exumos”, de 1995, além de duas peças teatrais: “De que valem os portões” (1992) e “Arthur Bispo do Rosário, o Rei” (1995). Em 2006, publicou os volumes “Vinte anos de poesia” e “Vinte anos de prosa”, em que reúne parte de sua produção anterior, acrescida de inéditos. Além disso, está presente em diversas edições dos Cadernos Negros, tanto de poesia quanto de ficção, além de outras antologias. Em paralelo, desenvolve criativo projeto voltado para o público infantojuvenil – intitulado “No Reino da Carapinha” – do qual o “literafro” reproduz um excerto na seção de textos selecionados.
 
Plínio Camillo
Formado em Estudos Linguísticos pela USP, Plínio Camillo é natural de Ribeirão Preto e reside em São Paulo. Além de escritor, é ator e educador social, tendo atuado com crianças e adolescentes de rua.  Atualmente, trabalha também na área de comunicação.Seu primeiro livro, “O Namorado do Papai Ronca”, voltado ao público infantojuvenil e publicado em 2012, foi premiado pelo Concurso de Apoio a Projetos de Primeira Publicação de Livro no Estado de São Paulo – ProAC. Lançado pela Prólogo Selo Editorial, em parceria com o Instituto Cultural Mundomundano, chama a atenção pela inovação na linguagem, que se apropria do modo de expressão usual nas redes sociais. Antes do lançamento individual, participou de duas coletâneas de contos: “Abigail” (2011) e “Assim você me mata”, (2012), ambos lançados pela Editora Terracota.
Estimulado pela literatura de autores como Marcelino Freire, Dalton Trevisan, Lima Barreto e Dashiel Hammett, o autor encontra referências também na dramaturgia e na tradição teatral, áreas em que possui vasta experiência. Participou do Curso de Extensão Cultural na área de teatro da Unicamp e atuou como autor, diretor, ator, iluminador e assistente de produção nesta área. Camillo reconhece em sua construção narrativa o aporte desta vivência teatral.
Sua linguagem, assim como as temáticas abordadas pelos seus textos, demonstra forte ligação com o cenário contemporâneo em múltiplos aspectos artísticos e políticos, principalmente no que tange as diferenças étnicas, sociais e sexuais. Suas atuações como educador ator e blogger são de fundamental importância no florescimento de sua obra literária.
Em 2014, publica a coletânea de contos “Coração Peludo” (Editora Kazuá), mesmo ano em que começa a colaborar com a Revista Córrego. Em 2015, lança “Outras Vozes” (11 Editora), livro de contos cujo foco de representação e ponto de vista é construído a partir da realidade do negro escravizado, misturando ficção a fatos históricos. Em 2016, participa da coletânea “Descontos de fadas”, publicado pela @link Editora, em que narrativas presentes no milenar universo do conto maravilhoso são trazidas ao século 21 e relidas/recontadas a partir da diversidade de olhares próprios à contemporaneidade. 
  
Serviço:
“A Literatura Brasileira na Ótica dos Escritores Negros” 
(lançamento de livros e roda de conversa)
Lançamento de Livros:
“No Reino da Carapinha”, de Carlindo Fausto Antônio, com   ilustrações de Junião, Editora Ciclo Contínuo, 2018.
“Outras Vozes”, de Plínio Camillo
“De Rua”, de Plínio Camillo e Júlio Dias 
“Bombons Sortidos” (10 libretos), com trabalhos de Plínio Camillo
Roda de Conversa: participações de Fausto Antônio, Plínio Camillo, Junião (cartunista e ilustrador do livro “No Reino das Carapinhas”),  Marciano Ventura (editor da Ciclo Contínuo) e da professora Natasha Magno, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.
Quando: 22 de junho, sexta, às 19h.
Onde: Biblioteca Pública Municipal Prof. Ernesto Manoel Zink (Av. Benjamin Constant, 1633.Centro. Campinas).
Entrada gratuita.
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