Ressurreição

abr 11 • Comportamento, ReligiãoNenhum comentário em Ressurreição

As pessoas, em geral, não sabem como trabalhar a questão da morte. Normalmente se apavoram, fogem do assunto, fazem uma interpretação errada. Morte não é fim, não é destruição nem ponto final de nossa existência. A morte é apenas uma passagem, uma porta que se abre para a eternidade, o outro lado da vida. Há pessoas que já viveram a experiência de morte e nos falam de um lugar de paz, de harmonia, de equilíbrio.
Acreditamos nessa verdade porque alguém foi enviado pelo Pai para nos “revelar coisas ocultas”, impossíveis de serem descobertas por uma inteligência humana, limitada, imperfeita, restrita ao campo da materialidade. Essa revelação não chega ao coração daqueles que duvidam da palavra do Homem de Nazaré que se revelou o Filho de Deus, Messias anunciado e prometido pelos Profetas.
A Ressurreição de Lázaro, especialmente, foi descrita pelo evangelista João como garantia dessa verdade revelada. Quando tomou conhecimento da morte de seu amigo de Betânia, demorou-se ainda dois dias para se encaminhar para essa aldeia. Sabia o que estava fazendo porque era iluminado pelo Espírito.
Ao chegar à aldeia, encon­tra-se com Marta, a irmã do falecido. Ela faz uma reclamação: “Se estivésseis aqui meu irmão não teria morrido”. Mas, ao mesmo tempo, professa a sua fé: “Sei que tudo o que pedires ao Pai, Ele te concederá… Sei que Lázaro haverá de ressuscitar na ressurreição do último dia…”. Diante do túmulo, onde estava sepultado o corpo de Lázaro, há quatro dias, Jesus falou e disse reafirmando sua palavra: “Eu não te disse: se creres verás a glória de Deus?”
Artista nenhum gasta tempo e talento para criar uma obra de arte e destruí-la em seguida. O Criador jamais pensaria em destruir a sua criatura, fruto de suas mãos, vida de sua vida. A ressurreição de Lázaro abre nossa mente para começar a entender nosso destino final. Aprendemos que Jesus ressuscitado não voltou à vida normal que tinha neste mundo. Isso foi o que aconteceu com Lázaro, com o filho da viúva de Naim e com a filha de Jairo. Jesus “partiu para uma vida diversa, nova: partiu para a vastidão de Deus, e é a partir dela que Ele se manifesta aos discípulos”, escreveu o Papa Bento XVI.
Nós cristãos acreditamos que Jesus ressuscitou, não porquê o túmulo estava vazio, mas porquê Jesus apareceu aos apóstolos e a muitas pessoas, até a sua volta para o Pai, na Ascensão. A ressurreição “é a força maior do amor diante da morte. Ela prova, ao mesmo tempo, que a imortalidade só pode ser fruto do existir no outro que continua de pé mesmo quando eu estou em farrapos”.
Importante saber que a ressurreição não é um ato fechado em si. É o início de um processo que se estende a todo ser humano. Ela é o princípio e a fonte da ressurreição futura dos homens, atuando desde já “pela justificação de nossa alma” e, mais tarde, “pela vivificação de nosso corpo”. É o que diz a doutrina católica.
Muita gente não tem certeza do que há depois da morte e tem muitas dúvidas. Ficam confusos e acabam por ignorar que existe algo além dele. Jesus indicou claramente que há continuidade. Discorreu claramente sobre o destino do ser humano após a morte, demonstrando que a vida não encerra no túmulo. Se a morte é apenas uma passagem, então, somente mudamos de endereço.
Cristo ressuscitou e nós, um dia, haveremos também de ressuscitar. Esta é uma verdade de nossa fé cristã. É por causa dessa verdade que decidimos viver melhor nesse planeta que habitamos, cuidar de nós mesmos, das pessoas que nos rodeiam, da natureza, e deixar de lado qualquer orgulho, auto-suficiência, ganância ou desprezo pelos outros.

Cônego Luiz Carlos Fonseca Magalhães é pároco da igreja Cristo Rei e jornalista

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