CDHU_moradias populares/Divulgação
Programa da CDHU já entregou 180 unidades na região de Campinas
Pesquisa mostra perfil dos beneficiários e reúne dados de renda e unidades entregues na região de Campinas
Uma casa, mas também um lugar de convivência, segurança e acesso a serviços. Esse é o conceito que vem orientando a política de moradia para idosos no Estado de São Paulo e que foi analisado em estudo realizado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), por meio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
O Programa Vida Longa é um aperfeiçoamento do antigo Vila Dignidade. O programa da CDHU busca promover maior socialização entre moradores com mais de 60 anos, resgatando o modelo de comunidade. Atualmente, contabiliza 53 convênios assinados e 1.262 unidades habitacionais entregues em todo o estado, das quais 180 na Região Administrativa de Campinas.
O estudo analisou a funcionalidade e a abrangência do programa, permitindo conhecer melhor o perfil do público atendido pelo Vida Longa. A idade média dos beneficiários é de 69,6 anos. Do total, 58% são homens e 42% são mulheres.
O levantamento aponta que 9,52% dos beneficiários são oriundos da população em situação de rua. Isso significa que cerca de um em cada dez beneficiários tem origem nesse grupo, caracterizado por alta vulnerabilidade social. O estudo também mostra que 49% dos empreendimentos estão inseridos em áreas periféricas e 69% em bairros residenciais.
Outro ponto de destaque do relatório é a renda média dos beneficiários, que varia entre os empreendimentos e chega a R$ 1.589,79 na média geral, dentro do limite estabelecido pelo programa, de dois salários mínimos. Na RA de Campinas, os valores também apresentaram diferenças entre os municípios: foram de R$ 1.248,17 em Bragança Paulista, R$ 1.543,69 em Americana, R$ 1.646,94 em São José do Rio Pardo e R$ 2.047,58 em Santa Bárbara d’Oeste.
Os dados também mostram que o porte do município não determina, por si só, o percentual de idosos nem o nível de envelhecimento da população. Nos municípios com até 25 mil habitantes, a média de idosos é de 19,78% e o índice de envelhecimento é de 113,33. À medida que o porte aumenta, esses indicadores apresentam uma tendência geral de queda, chegando a 16,62% de idosos e índice de envelhecimento de 94,47 nos municípios com mais de 900 mil habitantes.
Outro aspecto observado é a participação dos idosos na força de trabalho. Nos municípios de maior porte, a participação dos idosos ocupados tende a ser maior, enquanto a proporção daqueles que estão fora da força de trabalho diminui. Entre os municípios com até 25 mil habitantes, 18,20% dos idosos estão ocupados e 81,48% estão fora da força de trabalho. Já nos municípios com mais de 900 mil habitantes, esses percentuais passam para 22,16% e 77,03%, respectivamente.
Com relação ao custo das unidades, em 2025, o custo médio por unidade foi de R$ 200 mil, frente a R$ 207 mil em 2024 e R$ 196 mil em 2023.
O estudo também buscou referências em experiências nacionais e internacionais de proteção e moradia para a população idosa. Entre os exemplos internacionais analisados está o empreendimento Appleby Blue, em Londres, com 55 unidades e vencedor do prêmio RIBA Stirling, em 2025, em reconhecimento à excelência arquitetônica.
Outro caso é o De Drie Hoven, em Amsterdã, com 55 unidades destinadas a casais, que se destaca pela integração entre habitação e serviços de saúde, pela oferta de espaços coletivos e pela articulação de diferentes níveis de cuidado em um mesmo complexo. O modelo possibilita a transição entre a moradia independente e modalidades de cuidado de maior complexidade.
O empreendimento De Overloop, localizado em Almere, nos Países Baixos, é outro exemplo que apresenta uma proposta de variação do cuidado no interior da própria estrutura habitacional, permitindo a coexistência de moradores com diferentes níveis de autonomia em um mesmo empreendimento.
No Brasil, a pesquisa identificou experiências como as Repúblicas para Idosos, em São João da Boa Vista; o Conjunto Habitacional para Melhor Idade, em Tupã; o projeto Brasil 500 Anos, em Tarumã; e o programa Cidade Madura, na Paraíba.
Programa Vida Longa
Criado em 2009 o Vila Dignidade entregou 18 empreendimentos, totalizando 356 unidades. Em 2019, a iniciativa foi reformulada e passou a se chamar Vida Longa, entregando, até o final de 2022, cinco empreendimentos, com 118 unidades.
Já no início de 2023, a iniciativa foi fortalecida e recebeu novos investimentos para viabilizar outras moradias. Como resultado, em dois anos foram entregues 22 conjuntos do Vida Longa. As novas entregas permitiram que 580 idosos passassem a ser atendidos pelo projeto, que já beneficia, ao todo, mais de 930 pessoas com 60 anos ou mais.
A iniciativa tem por objetivo implantar equipamento comunitário de moradia assistida e gratuita, visando à oferta de serviço socioassistencial de acolhimento em República, voltado a pessoas idosas (60 anos ou mais), com vínculos familiares fragilizados, independentes para as atividades da vida diária, em situação de vulnerabilidade e risco social e com renda mensal de até dois salários mínimos.
As cidades participantes, por meio das prefeituras locais, são responsáveis pela indicação dos beneficiários e pela doação dos terrenos para a construção do equipamento, além da gestão e manutenção do empreendimento após a conclusão das obras.
A Secretaria Estadual da Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) é responsável pelos recursos, pela análise documental e pelo acompanhamento e fiscalização. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS) define as diretrizes socioassistenciais, orienta, capacita e monitora os serviços. A CDHU elabora os projetos, contrata e fiscaliza as obras, fornece o mobiliário e presta contas. Já o Município aprova os projetos, administra o equipamento, identifica os beneficiários, garante a moradia gratuita aos idosos e assume a gestão, a manutenção e a articulação dos serviços com a rede pública.
