Setembro roxo: mês de combate ao câncer de pâncreas

Tercio Genzini /Divulgação

O Câncer de Pâncreas merece atenção especial: o Ministério da Saúde criou a campanha Setembro Roxo, com o objetivo de conscientizar a população sobre os cuidados para diagnóstico rápido ou mesmo de evitar a doença.

O fato de não haver exames preventivos e de sua letalidade apresentar índices elevados, torna este tumor um motivo de preocupação especial no Centro de Oncologia do Hospital Vera Cruz.

Existem algumas condições que aumentam o risco de desenvolver a doença: obesidade; sedentarismo; diabetes (principalmente de início após os 50 anos), tabagismo; alcoolismo; histórico familiar; algumas doenças pancreáticas como cistos mucinosos, neoplasias intraductais mucinosas, pancreatites crônicas, pâncreas divisum; algumas síndromes genéticas; câncer de mama hereditário causado por mutações, entre outras causas.

Há ainda dispositivos de infraestrutura das cidades e alimentares que aumentam a incidência do câncer de pâncreas. Falta de saneamento básico, dieta pobre em vitaminas e rica em açúcares, colesterol e gorduras são condições para o desenvolvimento da doença. Além disso, a exposição frequente a agentes cancerígenos, a exemplo de certos produtos químicos usados nas indústrias de limpeza e metalurgia, também podem provocar a formação do tumor.

Pacientes que apresentam fatores de risco devem fazer exames periódicos de imagem (ressonância). O risco é estimado principalmente pela história familiar, número de familiares acometidos e grau de parentesco. Outros tipos de câncer na família, como o de mama e o de ovário, também devem ser considerados.

O principal tipo é o adenocarcinoma (95%). Este tumor é mais frequente em homens, após 50 anos, com maior incidência na fixa entre 70 e 75 anos. As maiores chances de cura são diagnóstico precoce e tratamento conjugado sistêmico e cirúrgico.

A perda de apetite, emagrecimento, fraqueza e aumento do açúcar sanguíneo são os principais sinais e sintomas. Muitos pacientes com câncer de pâncreas sentem dores nas costas e ficam meses em tratamento ortopédico achando que têm problemas na coluna. Outros sentem desconforto ou dor no abdômen superior e tratam como gastrite. A não resolução rápida destes quadros ou a persistência destes tipos de sintomas são motivos de investigação do pâncreas.

Uma das maneiras de evitar o tumor é alimentar-se de forma saudável. Frutas e vegetais figuram como protetores contra pancreatites e o próprio câncer de pâncreas. Alguns fitoquímicos presentes no açafrão-da-terra e no melão-de-são-caetano são citados como apoiadores no tratamento em estudos isolados.

Entre os suplementos, Vitamina C, Vitamina D e melatonina parecem exercer efeitos protetores relacionados a proteção celular, antioxidação e modulação imunológica, mas ainda sob investigação.

Evitar ganho de peso, controlar o açúcar sanguíneo, algumas medicações antidiabetogênicas, sono adequado, evitar carne vermelha e cigarro também são medidas protetoras.

Em caso de suspeita, procure sempre um especialista, pois maior chance de cura está no diagnóstico rápido e no melhor tratamento.

Sobre o autor

Tercio Genzini integra a equipe do Centro de Oncologia do Hospital Vera Cruz, em Campinas. Formado em Medicina na USP, é Mestre em Cirurgia do Aparelho Digestivo (USP), diretor do Grupo HEPATO (maior experiência latino-americana em transplantes de pâncreas), cirurgião no Hospital LeForte e do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

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