
Rafael Cervone/Crédito: Roncon&Graca Com
“A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) para decidir sobre a Selic ocorre em um momento de apreensão para a economia brasileira. A manutenção de juros muito elevados tem sido um dos principais fatores limitantes ao crescimento do PIB, que já apresentou sinais de desaceleração no último trimestre de 2024”. A ponderação é de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que lembra sobre os juros reais, além da Selic, hoje em torno de 9%.
Cervone externa sua preocupação de que, mesmo prevalecendo a previsão média do mercado constante do Boletim Focus, de manutenção em 13,25% ao ano, a Selic seguirá exagerada. “Embora a inflação sinalize certo recrudescimento e a questão fiscal ainda não tenha sido solucionada, a continuidade de uma política monetária restritiva é nociva para o Brasil”, pondera.
“Os juros elevados limitam a capacidade de investimento das empresas, especialmente na indústria, que depende de financiamentos constantes para modernizar seus bens de capital e tecnologia. Sem acesso a crédito a custos viáveis, torna-se inviável realizar os aportes necessários para garantir nossa competitividade no mercado global”, argumenta o presidente do Ciesp.
“É urgente que o governo e o Banco Central encontrem um equilíbrio entre o controle da inflação e o estímulo à economia. Precisamos continuar crescendo de modo substantivo e gerando empregos. Juros altos por um período prolongado, conforme estamos vivenciando no País, causam danos difíceis de serem reparados em curto prazo”, conclui Cervone.
O Copom, em 19 de março, aumentou a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano.