Radioembolização inédita: Procedimento minimamente invasivo utiliza micropartículas radioativas para tratar carcinoma e reforça avanço da medicina intervencionista na região
O Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), realizou uma radioembolização voltada ao tratamento de um tumor hepático em um paciente de 87 anos. A intervenção, inédita na unidade e rara no Brasil, foi indicada para um carcinoma hepatocelular primário, localizado no fígado, classificado como irressecável, ou seja, sem a possibilidade de cura por meio de cirurgia convencional.
O procedimento é um tratamento percutâneo minimamente invasivo, no qual é realizado um cateterismo da artéria responsável por irrigar o tumor. A partir desse acesso, são injetadas micropartículas radioativas diretamente no local da lesão com o objetivo de destruir as células tumorais.
“O método funciona como uma radioterapia interna, extremamente direcionada, permitindo tratar o tumor de forma localizada, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor”, explicam Lucas Freire, cirurgião vascular e radiologista intervencionista, e Allan Santos, médico nuclear; ambos responsáveis pela operação, feita em duas etapas, com intervalo de uma semana.
No primeiro dia, foi feito um mapeamento vascular e a aplicação de um radiofármaco de teste, o tecnécio, utilizado para avaliar se o tumor absorveria adequadamente a radiação e para calcular com precisão a dose a ser aplicada na fase seguinte; na segunda etapa, foi realizada a aplicação das micropartículas de Ítrio-90 (Y-90), um radioisótopo de resina e vidro que emite radiação diretamente no interior do tumor.

A expectativa é reduzir o volume da lesão e controlar a progressão da doença, proporcionando mais qualidade de vida ao paciente.
A recuperação após o procedimento é considerada rápida, a alta foi concedida no mesmo dia, não inclui internação e tampouco medicações especiais de pós-operatório. O acompanhamento clínico será feito por meio de uma nova visita médica nesta semana, com consultas periódicas e exames de imagens nos próximos meses.
Segundo Freire, a segurança do procedimento está relacionada ao alto grau de precisão da técnica. “A injeção das partículas é feita de forma seletiva, guiada por radioscopia, somente na artéria que nutre o tumor. Portanto, não há risco de elas invadirem outros órgãos. Trata-se de uma alternativa eficaz para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia, pois permite tratar o tumor de forma localizada e com menor impacto sistêmico”, conclui.
