Jornal de Campinas

Dia do Bibliotecário: profissional é essencial para mediação da informação e na formação de leitores

Diante de tantas ferramentas digitais bibliotecarios tornam se guardioes da leitura critica Freepik

Diante de tantas ferramentas digitais, bibliotecários tornam-se guardiões da leitura crítica/Freepik

Dia do Bibliotecário

Em tempos de desinformação, bibliotecários tornam-se guardiões da leitura crítica

Celebrado em 12 de março no Brasil, o Dia do Bibliotecário é uma homenagem ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957), reconhecido como o primeiro bibliotecário concursado do país. Engenheiro, poeta, publicitário e profissional da informação, Bastos Tigre foi um dos pioneiros na organização técnica de bibliotecas brasileiras e contribuiu para a valorização da Biblioteconomia como campo estruturado de conhecimento. A escolha da data reconhece não apenas sua trajetória, mas também a importância histórica da profissão na promoção do acesso à informação, à leitura e à cultura no país.

Papel do bibliotecário
Para ser um bibliotecário, é preciso ter ensino superior em Biblioteconomia e registro no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB). De acordo com dados do Conselho Federal de Biblioteconomia, existem cerca de 21 mil desses profissionais no Brasil, número insuficiente para a demanda no País – estimativas diversas calculam ser necessários mais de 100 mil deles.
Em um cenário marcado pelo excesso de informações, conteúdos digitais de diferentes níveis de confiabilidade e novas formas de leitura, o bibliotecário assume um papel central na mediação do conhecimento, na democratização do acesso à informação e na formação de leitores críticos, autônomos e conscientes.
Muito além da organização de acervos, esse profissional atua como curador de conteúdos, parceiro pedagógico e agente de transformação cultural dentro das escolas. Ao integrar leitura, tecnologia e educação, o bibliotecário contribui diretamente para o desenvolvimento acadêmico, socioemocional e cultural dos estudantes, fortalecendo competências essenciais para o século XXI.
Bibliotecas no Brasil
Segundo dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o Brasil tinha 5.293 bibliotecas públicas em 2020, número que representa cerca de uma biblioteca para cada 40 mil habitantes no País. Nesse cenário, as bibliotecas das escolas são grandes aliadas ao acesso à leitura, apesar de nem todas possuírem esse recurso. Segundo o Censo Escolar 2023, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 55% das escolas públicas e privadas possuem bibliotecas.

 

Tecnologia e curadoria da informação
A transformação digital também tem redefinido a rotina das bibliotecas e ampliado as possibilidades de atuação do bibliotecário. Com o avanço de sistemas de gerenciamento de acervos, bases de dados e catálogos online, o acesso à informação tornou-se mais ágil e diversificado, integrando conteúdos físicos e digitais.
Para a bibliotecária Jacqueline Borges, do colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP), a tecnologia não substitui o papel humano da profissão, mas amplia sua capacidade de conectar pessoas ao conhecimento. “Muitas atividades que antes eram feitas manualmente passaram a contar com o apoio de sistemas e ferramentas digitais. Isso facilita a organização dos acervos e amplia o acesso dos usuários à informação”, explica.
Segundo ela, o bibliotecário contemporâneo também exerce um papel estratégico na curadoria de conteúdos. Isso envolve selecionar, avaliar e organizar materiais de acordo com as necessidades informacionais dos usuários, seja no acervo físico ou em ambientes digitais. “Hoje a informação está presente em diferentes suportes. O bibliotecário atua justamente nesse processo de identificar fontes confiáveis e orientar as pessoas na busca por conteúdos relevantes”, afirma.
Além do domínio de ferramentas tecnológicas, a profissional destaca que competências como pensamento crítico, ética no uso da informação e capacidade de adaptação às novas tecnologias são fundamentais para a atuação na era digital. “Mais do que organizar informações, o bibliotecário ajuda a preencher lacunas informacionais e orienta os usuários a encontrar aquilo que realmente precisam”, conclui Jacqueline.
Profissional
Jacqueline Borges é bacharel em Biblioteconomia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), com formação concluída em 2025. Atua há quase dois anos como auxiliar de biblioteca no Colégio Progresso Bilíngue, onde iniciou sua trajetória profissional na área. Possui experiência em biblioteca escolar, desenvolvendo atividades de organização de acervo, atendimento a alunos e professores e promoção da leitura, além de colaborar na organização e realização de eventos culturais e educativos no ambiente escolar.
 

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