Jornal de Campinas

Especialistas alertam para impactos sociais e cognitivos de perdas auditivas

Perdas auditivas mesmo leves e moderadas demandam tratamento Divulgacao

Perdas auditivas mesmo leves e moderadas demandam tratamento/Divulgação

Muitas pessoas acreditam que apenas perdas auditivas severas exigem tratamento. No entanto, estudos científicos recentes mostram que mesmo perdas auditivas leves e moderadas podem causar consequências importantes para a saúde, incluindo isolamento social, dificuldade de comunicação, alterações emocionais e até maior risco de declínio cognitivo.
De acordo com pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais, a dificuldade de ouvir compromete a interação social e aumenta o esforço cerebral para compreender a fala, especialmente em ambientes ruidosos. Esse processo pode levar ao desgaste cognitivo ao longo do tempo. Uma revisão sistemática publicada em 2024 na revista Frontiers in Public Health reforçou que a perda auditiva está diretamente associada ao isolamento social, fator considerado importante mediador para o declínio cognitivo e demência. (Frontiers)
Outro estudo publicado no JAMA Network Open demonstrou associação entre diferentes graus de perda auditiva e pior desempenho em múltiplos domínios cognitivos, reforçando a necessidade de monitoramento precoce e intervenção adequada. (JAMA Network)
Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins também observaram que idosos com perda auditiva apresentam maior tendência ao isolamento social ao longo dos anos, o que pode impactar diretamente qualidade de vida, saúde mental e função cerebral. (SpringerLink)
Para a fonoaudióloga especialista em audiologia, Camila Quintino, ainda existe um grande desconhecimento sobre os impactos das perdas auditivas consideradas “leves”.
“É muito comum o paciente dizer: ‘eu ainda escuto, então não preciso tratar’. Mas ouvir não significa compreender adequadamente. Muitas pessoas começam a evitar encontros sociais, restaurantes, reuniões familiares e até ambientes de trabalho porque sentem dificuldade para acompanhar conversas”, explica.
Segundo a especialista, o cérebro precisa fazer um esforço maior para interpretar sons quando existe perda auditiva, o que pode gerar fadiga mental e prejuízo cognitivo progressivo.
“A audição está diretamente ligada à estimulação cerebral. Quando a pessoa deixa de ouvir adequadamente, o cérebro recebe menos estímulos auditivos e isso pode contribuir para alterações cognitivas ao longo do tempo. Hoje sabemos que tratar precocemente é fundamental”, afirma Camila.
A especialista também destaca que muitas perdas auditivas evoluem gradualmente e acabam sendo negligenciadas por anos.
“Quanto antes houver diagnóstico e intervenção, melhores são os resultados. O tratamento não envolve apenas aparelhos auditivos; envolve qualidade de vida, autonomia, participação social e saúde cerebral.”
Além da avaliação auditiva periódica, os especialistas recomendam atenção a sinais como necessidade frequente de pedir repetição, aumento excessivo do volume da televisão, dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos e sensação de cansaço após interações sociais.
A conscientização sobre perdas auditivas leves e moderadas tem sido cada vez mais defendida pela comunidade científica internacional, justamente pelo impacto que a audição exerce sobre comunicação, cognição e envelhecimento saudável.

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