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Jornal de Campinas

Segurança jurídica: A tecnologia servindo ao Direito e não apenas ao escritório

Vanessa e Jucy Quagliato Divulgacao

Vanessa Goulart de Melo e Jucy Claire Balbi/Divulgação

segurança jurídica

Jucy Claire Balbi e Vanessa Goulart de Melo

Para qualquer pessoa que já enfrentou um processo judicial ou contratou um serviço jurídico, três coisas ficam evidentes na primeira dificuldade: tempo, custo e segurança jurídica. Esses são os verdadeiros termômetros de uma operação jurídica — quando funcionam bem, o cliente nem percebe a engrenagem por trás; quando falham, é a primeira coisa que ele sente.

Atrasos, retrabalho e falta de previsibilidade custam caro às empresas e pesam sobre o cidadão que busca uma resposta jurídica. É esse cenário que a modernização da operação jurídica, reunida sob o conceito de Legal Operations (ou Legal Ops), busca transformar.

Mais do que a incorporação de ferramentas tecnológicas, Legal Ops significa repensar a gestão do escritório: integrar pessoas, processos, prazos e informações para tornar a atividade jurídica mais eficiente, previsível e segura.

Sistemas de gestão jurídica — como os softwares hoje adotados para controle de prazos e distribuição de tarefas, caso do Legal One — funcionam como ferramentas auxiliares, nunca como um fim em si mesmas.

Esses sistemas dão suporte à gestão de cada demanda até o seu desfecho: organizam informações, sinalizam prazos e permitem que novos procedimentos sejam adotados com agilidade. O resultado esperado não é apenas operacional — é entregar ao cliente, empresa ou pessoa física, maior previsibilidade sobre sua demanda e clareza sobre cada decisão tomada.

Essa lógica também vale para a sustentabilidade financeira da operação: é preciso saber quanto custa cada processo, demanda, hora de trabalho, para que decisões deixem de ser reativas e passem a ser estratégicas — identificando onde tempo e recursos são bem investidos e onde se perdem em retrabalho.

Essa organização também eleva a produtividade na gestão de clientes, internos e externos, permitindo acompanhar múltiplas demandas, identificar pendências com antecedência e manter a comunicação organizada entre todos os envolvidos.

Mas até onde a tecnologia deve ocupar espaço na relação entre cliente e profissional do Direito?

Entre humanização e algoritmos existe complementaridade, não disputa. O algoritmo cuida do repetitivo, do previsível, do que pode ser medido; a pessoa cuida do que é único em cada cliente, em cada conversa que exige mais do que uma resposta padrão.

Automatizar tarefas não significa automatizar a escuta — ao contrário: com o operacional absorvido por sistemas, sobra mais tempo para o advogado ouvir, explicar cenários e acompanhar cada caso de perto. Um sistema registra um prazo, mas não substitui a capacidade humana de perceber uma preocupação não verbalizada ou traduzir a complexidade jurídica para quem precisa dela.

O desafio da Legal Operations não é escolher entre tecnologia e humanização. É utilizar a primeira para fortalecer a segunda. Afinal, quanto mais eficiente for a estrutura que sustenta a atividade jurídica, maior pode ser o espaço destinado àquilo que permanece essencial: compreender pessoas, antecipar necessidades e entregar, com segurança e clareza, a melhor resposta possível para cada demanda.

 

 

Jucy Claire Balbi, advogada e Vanessa Goulart de Melo, administradora de empresas, atuam no Quagliato Advogados.

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