Uso da IA nas empresas ainda demanda adaptações/Imagem gerada por IA
Apenas 6% das empresas alcançam alto desempenho com IA e avanço exige mudanças além da tecnologia; Pesquisa da McKinsey associa os melhores resultados ao redesenho dos processos de trabalho; caso da PUC Minas, com Airia e Performa_IT, mostra como privacidade, auditoria e conformidade sustentam a expansão da IA
A inteligência artificial já faz parte do cotidiano de muitas empresas, mas a maioria ainda não consegue converter esse avanço em resultado para o negócio. Segundo a pesquisa McKinsey’s 2026 State of AI Survey, divulgada em um artigo da consultoria em outubro de 2026, 80% dos entrevistados afirmam que a IA aumentou sua produtividade individual, mas apenas 37% relatam impactos positivos no resultado operacional (EBIT).
O levantamento também revela que somente 6% das organizações são classificadas como empresas de alto desempenho em IA. O que diferencia esse grupo é a maneira como a tecnologia é incorporada ao funcionamento da empresa: aproximadamente 75% delas realizaram mudanças significativas em seus processos de trabalho, enquanto apenas 25% das demais organizações.
A diferença sugere que os melhores resultados dependem não só de usar a inteligência artificial, mas de adaptar processos e formas de trabalho às novas possibilidades da tecnologia. Para a maioria das empresas, porém, essa transformação ainda está distante.
“O desafio das empresas não é apenas adotar a inteligência artificial, mas integrá-la aos processos de forma estratégica, segura e responsável. Para que a tecnologia gere resultados reais, é preciso repensar a maneira como as organizações trabalham, estabelecer regras claras de uso e garantir a conformidade com as normas de segurança e proteção de dados. Sem governança e supervisão, a IA pode ampliar riscos em vez de gerar valor para o negócio”, destaca Léo Tristão, CEO e fundador da Performa_IT, empresa com atuação em transformação digital, inteligência artificial, dados e produto.

Léo Tristão, CEO e fundador da Performa_IT/Foto: Mariana Mendes
Como fazer a IA dar certo nas organizações? O caso da PUC Minas
Foi justamente a necessidade de conciliar o avanço da inteligência artificial com privacidade, auditoria e conformidade que levou a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) a buscar uma solução para organizar o uso de diferentes ferramentas de IA em suas operações. Na prática, a instituição precisava ter registros das interações que permitissem auditar o uso da tecnologia e poder acompanhar a aderência a normas e políticas de segurança.
Com mais de 75 mil alunos e 1.200 professores, a instituição já desenvolvia projetos e experimentava soluções de inteligência artificial, mas buscava uma maneira de centralizar a gestão dessas iniciativas. O objetivo era permitir que a tecnologia avançasse de forma estruturada, com maior domínio sobre quem utilizava as ferramentas, quais informações eram acessadas e quais custos estavam envolvidos.
Foi nesse contexto que Humberto Mossri, líder de IA da PUC Minas, conheceu a plataforma norte-americana Airia durante um evento do Gartner, em 2025. A tecnologia, voltada à criação e à gestão de agentes inteligentes, reunia recursos de segurança, gestão e governança que estavam entre as necessidades identificadas pela universidade.
Antes dessa aproximação, a instituição, sob a condução do CIO da PUC Minas, Marcelo Nassau, já havia realizado encontros e avaliações internas para identificar oportunidades de aplicação da IA. Nesse processo, foram consideradas mais de 130 propostas, das quais cinco foram selecionadas inicialmente com base em critérios de impacto e viabilidade, levando em conta tanto o potencial de geração de valor quanto a disponibilidade de dados, tecnologia e conhecimento para executar os projetos.
Após o primeiro contato com a Airia, a PUC Minas iniciou, em janeiro de 2026, uma prova de conceito para avaliar a plataforma. Em abril, avançou para um projeto-piloto, etapa que contou com o acompanhamento da Performa_IT, parceira estratégica da Airia no Brasil. Em agosto, a universidade formalizou a contratação da tecnologia por 24 meses.
“Nosso principal desafio era permitir que a inteligência artificial avançasse dentro da instituição sem perdermos a capacidade de acompanhar o que estava sendo utilizado. Mais do que desenvolver novas aplicações, precisávamos de uma estrutura que oferecesse segurança, rastreabilidade e coordenação, desde a criação dos agentes até o acompanhamento de seus custos e resultados”, explica Marcelo Nassau.
A experiência já resultou no desenvolvimento de aplicações para diferentes atividades internas. Entre elas está um agente que orienta funcionários sobre solicitações de compras, aprovação de pagamentos e responsabilidades nos processos administrativos. Outro assistente auxilia na análise de contratos corporativos de TI, verificando padrões, identificando possíveis inconsistências e apontando cláusulas ausentes.
Na área de desenvolvimento de software, a universidade também passou a utilizar ferramentas integradas à Airia, permitindo acompanhar o uso da inteligência artificial pelos profissionais e estabelecer limites de consumo. Já no campo acadêmico, foi desenvolvido um assistente para apoiar professores na elaboração de conteúdos de disciplinas de educação a distância, incluindo a definição de objetivos pedagógicos e a identificação de possíveis repetições entre unidades.
Atualmente, cerca de 30 profissionais de TI utilizam diretamente a plataforma, enquanto funcionários de outras áreas já acessam agentes desenvolvidos por meio dela.
Mais do que a criação de novas aplicações, um dos principais avanços identificados pela universidade está na possibilidade de reunir informações sobre o uso da IA em um único ambiente. A plataforma permite acompanhar quais agentes estão sendo utilizados, por quem, com qual frequência e a que custo, além de oferecer registros das interações para fins de auditoria.
Entre os recursos disponíveis está a definição de limites financeiros por usuário, projeto, agente ou modelo de IA, com a possibilidade de emitir alertas e bloquear automaticamente novos consumos quando o orçamento estabelecido é atingido. A ferramenta também oferece mecanismos de apoio à conformidade com padrões de segurança, privacidade e gestão de inteligência artificial.
Para Humberto, essa visibilidade é fundamental para permitir que novas iniciativas sejam testadas sem comprometer a administração da operação. “Estamos em uma fase em que experimentar também é importante para entender o potencial da tecnologia. O diferencial é poder fazer isso com controle, sabendo quanto cada iniciativa consome, quem está utilizando os recursos e quais projetos demonstram condições de avançar. Isso nos permite tomar decisões mais fundamentadas sobre os próximos investimentos”, acrescenta.
Tecnologia e segurança para ampliar o uso da IA
A experiência da PUC Minas mostra que ampliar o uso da inteligência artificial exige mais do que desenvolver novas aplicações. Para André Paganuchi, CTO e fundador da Performa_IT, é fundamental integrar a tecnologia aos sistemas e processos já existentes sem comprometer a segurança das operações.
“Quando uma empresa começa a ampliar o uso da inteligência artificial, o desafio técnico deixa de ser apenas desenvolver agentes e passa a envolver toda a estrutura necessária para que eles funcionem de forma integrada e segura. É preciso definir quais informações podem ser acessadas, como esses sistemas se conectam às operações e quais mecanismos de controle estarão presentes em cada etapa. Sem essa base, a expansão da IA pode aumentar a complexidade e os riscos para o negócio”, explica Paganuchi.
A proposta é que segurança e governança façam parte do desenvolvimento das soluções desde o início, e não sejam tratadas apenas após sua implementação. Dessa forma, as organizações podem ampliar o uso de agentes inteligentes mantendo critérios de acesso, supervisão e acompanhamento dos resultados.
Parceria entre Performa_IT e Airia fortalece atuação no Brasil
Anunciada em abril de 2026, a parceria estratégica entre a Performa_IT e a Airia busca ampliar a presença da plataforma norte-americana no mercado brasileiro, oferecendo às empresas soluções de inteligência artificial com foco em segurança, governança e integração aos processos de negócio.
Alex dos Santos, parte da equipe de expansão e Go-To-Market (GTM) da Airia no Brasil, afirma: “A parceria com a Performa_IT é importante porque ampliar nossa presença no Brasil não significa apenas disponibilizar uma plataforma. As empresas precisam de parceiros que compreendam seus processos, seus desafios tecnológicos e as exigências de segurança do mercado local. Essa combinação nos permite aproximar os recursos da Airia das necessidades reais das organizações brasileiras.”
A colaboração busca ajudar as empresas a avançar da experimentação com ferramentas isoladas para uma adoção mais estruturada da inteligência artificial, combinando tecnologia e conhecimento dos processos de negócio.
Site: https://performait.com/
