A presença da morte

Pintor norueguês caracterizado por obras em que predominam a tristeza e a angústia do existir, Edvard Munch é considerado um dos pioneiros do expressionismo. Embora sua obra mais famosa seja “O grito” (1893), outras apresentam, como “Criança doente” (1881-86), apresentam de maneira marcante os traumas sofridos com as mortes da mãe da irmã.

O próprio pintor tem uma vida marcada pelo desequilíbrio emocional. Em 1890, foi internado durante dois meses em Le Havre (França) para “tratamento nervoso”. Esteve ainda na Suíça, em 1900, e em Bad Elgersburg, Turíngia, Alemanha, cinco anos depois, onde recebeu o diagnóstico de ser portador de neurastenia.

O célebre gesto de tampar os ouvidos presente na figura central de “O grito” se repete, por exemplo, na imagem da irmã Sophie no quadro “A mãe morta e a criança” (1899). Surge ali até uma figura de banco, misteriosa, entre todos de preto, que alguns interpretam como espírito da morta caminhando em direção à porta.

O quadro, realizado 31 anos após o falecimento da mãe, traz os adultos sem nada poder fazer perante a tragédia, enquanto a criança, no primeiro plano, se desespera. De costas para a mãe morta, vitimada por tuberculose pulmonar, Sophie parece querer renegar o fato, mas a chegada da “Indesejada das gentes”, como a chama o poeta Manuel Bandeira, é inevitável.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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