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Jornal de Campinas

Centro de Campinas tem tenda fixa e pontos itinerantes de atendimento a pessoas em situação de rua

Tenda Fixa Abordagem social

As tendas contam com mesas, cadeiras, veículo de apoio e equipe identificada (Rogério Capela)

 

Nova organização do Serviço Especializado em Abordagem Social, em vigor desde 1º de outubro, reforça a presença das equipes na região central e mantém a busca ativa nas demais regiões da cidade

 

Pessoas em situação de rua no Centro de Campinas contam, desde 1º de outubro, com um ponto fixo de atendimento. Uma tenda do Serviço Especializado em Abordagem Social funciona em frente à Catedral Metropolitana, na Praça José Bonifácio, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 14h.

Uma segunda tenda percorre cinco pontos do Centro e da Vila Industrial, bairro vizinho, com atendimento em um local diferente a cada dia útil. O serviço passa pela praça em frente ao Palácio da Cidade, na Rua Regente Feijó; pelo Largo do Pará; pela Praça Felipe Selhi Cunha, perto do Terminal Central; pela praça ao lado da Casa da Cidadania, unidade da Prefeitura que oferece atendimento diurno a pessoas em situação de rua, na Vila Industrial; e pela Praça Rui Barbosa, atrás da Catedral. Os dias e horários de atendimento em cada local estão disponíveis no fim desta matéria.

“A assistência social precisa estar onde as pessoas estão. Essa nova organização permite que nossas equipes tenham uma presença mais próxima e contínua na região central, sem deixar de atender os demais territórios da cidade. É uma forma de facilitar o acesso aos serviços e fortalecer o acompanhamento de quem vive em situação de rua”, destacou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.

As tendas contam com mesas, cadeiras, veículo de apoio e equipe identificada. A nova organização foi estabelecida por uma ordem de serviço da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, publicada no Diário Oficial do Município em 1º de outubro. Os locais e horários de atendimento podem ser alterados conforme a presença de pessoas em situação de rua em cada ponto da cidade.

A abordagem social é uma das portas de entrada da assistência social para quem vive nas ruas. As equipes se aproximam das pessoas, ouvem suas necessidades, informam sobre seus direitos e fazem encaminhamentos para a rede de atendimento. Entre os serviços estão a obtenção de documentos, a inscrição no Cadastro Único, registro utilizado para o acesso a programas sociais, como o Bolsa Família, o encaminhamento para pernoite no albergue municipal e o acesso a serviços de saúde. A adesão ao atendimento é sempre voluntária, e o vínculo com as equipes costuma ser construído ao longo de vários contatos.

O reforço das equipes no Centro segue um diagnóstico sobre a distribuição da população em situação de rua no município. Segundo a análise que orienta o plano de trabalho do serviço, a região central concentra o maior número de pessoas nessa condição e também a maior parte dos equipamentos de atendimento voltados a esse público. Por isso, a área passou a contar com um número maior de profissionais.

Os dados ajudam a dimensionar o desafio. O Censo da População em Situação de Rua de Campinas, realizado em 2024 pela Fundação Feac, pelo instituto de pesquisa Qualitest e pela Prefeitura, com base em 312 entrevistas, mostrou que 19,2% dos entrevistados não possuíam nenhum documento e 18,3% não estavam inscritos no Cadastro Único. A ausência de documentação e de cadastro pode impedir ou dificultar o acesso a benefícios sociais. Resolver essas pendências é uma das frentes de atuação das equipes.

O mesmo levantamento traçou o perfil das pessoas entrevistadas: 81,4% eram homens, 65,7% se declararam pardas ou pretas e a idade média era de 38,7 anos.

Saúde e assistência no mesmo lugar

A tenda itinerante prioriza locais onde o Consultório na Rua já realiza atendimentos. Vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, o Consultório na Rua leva serviços de saúde diretamente às pessoas em situação de rua. A presença das duas equipes no mesmo território permite a atuação conjunta da assistência social e da saúde, facilitando o acesso aos atendimentos.

Fora da região central, o trabalho permanece organizado por meio da busca ativa. As equipes continuam percorrendo ruas, praças e viadutos de todas as regiões da cidade para localizar e atender pessoas em situação de rua, sem esperar que elas procurem o serviço. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h, das 13h às 17h e das 18h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h.

De maio a setembro, durante a Operação Inverno, período em que o atendimento é reforçado nos meses mais frios, o plano de trabalho prevê atividades até a meia-noite, inclusive nos fins de semana e feriados. A edição de 2026 da operação terminou em 30 de setembro, um dia antes da entrada em vigor da nova organização.

Quem executa o serviço

O Serviço Especializado em Abordagem Social é executado pelo Movimento Vida Melhor (MVM), organização da sociedade civil sem fins lucrativos criada em Campinas no fim de 2001. A entidade foi selecionada por meio de chamamento público, procedimento pelo qual a Prefeitura escolhe organizações para executar serviços da rede socioassistencial. A parceria foi formalizada por meio de um termo de colaboração, instrumento que estabelece a execução, pela organização, de um serviço definido pelo poder público. A vigência é de 12 meses.

A equipe é formada por assistentes sociais, psicólogos, terapeuta ocupacional, educadores sociais, motoristas e auxiliares administrativos e de limpeza, sob a coordenação técnica de Verônica Aparecida Zibordi Rosa.

Além do atendimento a adultos, o serviço atua na identificação de situações de trabalho infantil, exploração sexual e outras formas de violação de direitos, incluindo situações de pessoas que pedem dinheiro para sobreviver. As equipes também atendem crianças, adolescentes, pessoas idosas e famílias inteiras em situação de rua.

O trabalho inclui a construção de um plano individual de acompanhamento com cada pessoa atendida, o apoio à retomada do convívio familiar e a organização do retorno assistido à cidade de origem, quando essa é a vontade do usuário. Também são realizadas oficinas socioeducativas, culturais, esportivas e de preparação para o trabalho.

A nova organização do serviço será apresentada ao Comitê Municipal Intersetorial para a População em Situação de Rua, colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade civil para acompanhar as políticas municipais voltadas a essa população.

Onde estão as tendas

Ponto fixo

Em frente à Catedral Metropolitana, Praça José Bonifácio, Centro.

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h; aos sábados, das 8h às 14h.

Pontos itinerantes

Segunda-feira, das 8h às 17h: praça em frente ao Palácio da Cidade, Rua Regente Feijó, Centro.

Terça-feira, das 8h às 12h: Largo do Pará, Avenida Francisco Glicério, Centro.

Quarta-feira, das 8h às 17h: Praça Felipe Selhi Cunha, entre a Rua Cônego Cipião, a Rua Álvares Machado e a Avenida Doutor Moraes Salles, Centro.

Quinta-feira, das 8h às 17h: praça no entorno da Casa da Cidadania, Rua Francisco Teodoro, 138, Vila Industrial.

Sexta-feira, das 8h às 17h: Praça Rui Barbosa, atrás da Catedral, com acesso pela Rua Treze de Maio, Centro.

Como pedir atendimento para uma pessoa em situação de rua

Telefone: 156.

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