Jornal de Campinas

Estudo inédito do Ciesp aponta diretrizes que valorizam tecnologia e produtos sustentáveis

Rafael Cervone/Crédito: Roncon&Graça Com

Transição energética deve ser um dos focos para economia da região de Campinas, diz presidente do Ciesp no Innovation Week

A transição energética é um dos movimentos da economia que merecerão maior atenção de indústrias e lideranças políticas da região de Campinas. Este é um dos diagnósticos feitos pelo estudo “Indústria e Tecnologia na Região de Campinas”, apresentado ao público nessa quarta (12), por Rafael Cervone, presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), no Campinas Innovation Week.

O estudo foi desenvolvido pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia do Fiesp/Ciesp. Segundo Cervone, os combustíveis fósseis, como o petróleo, passarão de 80% para 72% do consumo mundial, entre 2019 e 2030. Hoje o setor de petróleo e biocombustíveis representa cerca de 30% do PIB (Produto Interno Bruto) da região de Campinas, tendo o município de Paulínia como destaque nacional do setor.

“Essas tendências de mudanças na matriz energética podem ser significativamente aceleradas por tecnologias disruptivas. Há uma preocupação com a utilização de fontes limpas e renováveis de energia, sendo que o etanol e a biomassa são oportunidades para o Brasil”, afirmou o presidente do Ciesp.

O estudo apresentado por ele dá diretrizes importantes para o setor, entre eles, como utilizar mecanismos de financiamento do programa Nova Indústria Brasil (NIB), desenvolver novos materiais, elevar a eficiência na produção de etanol, estimular a produção de biometano, avançar na produção de etanol de segunda geração e incentivar a instalação de biorrefinarias integradas.

Público em palestra do Ciesp no Campinas Innovation Week/Crédito: Roncon&Graça Com

Tecnologia e sustentabilidade

 De acordo com o mapeamento, além de petróleo e biocombustíveis, a região de Campinas mantém vocações atuais (consolidadas) nas áreas de máquinas e equipamentos; borracha e plástico; celulose e papel; alimentos; veículos automotores; informática, produtos eletrônicos e ópticos; farmoquímicos e farmacêuticos e químicos.

O estudo também se baseou no crescimento acima de 50% da massa salarial de 2007 a 2021 para identificar vocações potenciais (em crescimento) para os próximos anos. Nessa linha, se destacaram produtos farmacêuticos; outros alimentos (panificação, biscoitos, chocolates, massas, especiarias, molhos, temperos e alimentos prontos); bebidas alcoólicas; sabões, detergentes e produtos de limpeza; equipamentos de comunicação; produtos de borracha e máquinas e equipamentos de uso industrial específico.

Em todos os casos, as diretrizes do estudo apontam para a utilização da tecnologia e para a valorização de produtos mais sustentáveis. No caso dos produtos químicos, por exemplo, as diretrizes giram em torno de incentivar a geração de produtos inovadores, implementar estudos de viabilidade para utilização de energias renováveis e estimular a adoção dos princípios de química verde.  A logística reversa, o desenvolvimento de bioplásticos, a aderência a programas de reciclagem também são citadas como diretrizes importantes para a região de Campinas.

Para Cervone, a pandemia de covid-19 trouxe lições importantes ao Brasil como a necessidade de ter uma indústria nacional fortalecida e o compromisso de descentralizar cadeias produtivas, a fim de aumentar a autonomia em casos de crises globais.

“O Rafael apresentou um documento sobre o potencial da região metropolitana de Campinas. São números que muitas prefeituras não têm e que podem ajudar a nortear o desenvolvimento da nossa região”, concluiu o diretor do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa.

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