Ex-paciente do Boldrini reforça importância da aceitação pós amputação

Thaline Iolanda Pádua de Oliveira com Manuella /Divulgação

Mostrar a importância de aceitar o tratamento e de ver que a amputação não é o final da vida. Esse foi o objetivo da ex-paciente do Centro Infantil Boldrini, Thaline Iolanda Pádua de Oliveira, nesta segunda-feira, 14, ao conversar de igual para igual com as crianças, pacientes e familiares atendidos pelo hospital e pelo Centro de Reabilitação Lucy Montoro. Thaline,que teve um osteosarcoma na adolescência e precisou amputar a perna direita e sabe muito bem o que é ter que se adaptar à nova realidade e não desistir.

Exemplo de superação e reabilitação, a jovem de 31 anos, que estuda direito e trabalha em um banco, voltou a montar a cavalo e hoje compete pelo Brasil a prova dos três tambores. “Quando eu fiquei doente aos 16 anos, não tinha ninguém em quem me inspirar, como referência. Eu quero mostrar a todos que ter que amputar um membro para se curar não tem problema. Contei tudo o que passei e quis levar a mensagem que a gente tem que se aceitar e optar por viver. Quero inspirar e mostrar que tem uma vida linda esperando por eles depois do tratamento e da amputação. Eu sempre quis montar a cavalos e tive que interromper para o tratamento. Depois voltei e, amputada, hoje realizei meu sonho”, contou.

Segundo a jovem, as pessoas que passam pela amputação muitas vezes sofrem com os olhares das pessoas de desconfiança e até mesmo de preconceito, mas é preciso se manter firme e seguir. “Temos que entender e aceitar que a amputação nos dá a oportunidade de  fazermos as coisas de maneira diferente, mas que isso não significa que temos que deixar de fazer o que gostamos”, avalia.

E a história de Thaline realmente serviu de inspiração. Jackeline Rodrigues Pinheiro é mãe da pequena Manuella, de seis anos, e conta que estão passando a mesma situação de Thaline. “Essa conversa foi maravilhosa. Tiramos várias dúvidas, pois a Manu está passando pela mesma coisa. Ela prestou atenção em tudo e viu que tem como continuar a viver. A palavra é literalmente inspiração”, afirma.

Manu dançava Ballet desde os quatro anos e em dezembro do ano passado abandonou as aulas ao descobrir o osteosarcoma. Amputou a perna esquerda há cerca de três meses, mas manteve intacto o sonho de voltar aos palcos. “No final do ano ela deve fazer uma participação no espetáculo da escola em que dançava. Ela está animada com as provas de roupa”, conta a mãe.

A menina, segundo a mãe, voltou a sonhar depois da fase difícil do tratamento e, agarrada à boneca amputada que ganhou de presente de Thaline, faz planos para o futuro: quer ser cantora, dançarina e policial quando crescer.

Thaline foi além da questão da amputação em sua conversa com os pacientes. “Durante o tratamento, os pacientes muitas vezes perdem o cabelo e isso, principalmente para as meninas é um peso. Eu vivi isso e não tinha em quem me espelhar. Eu acho importante falar para eles que o cabelo cresce de novo, que a gente pode ser e é bonita sem ele. Essa é uma fase muito difícil de aceitação e mostrar que é possível passar por ela, é essencial para os pacientes”.

A ex-paciente Thaline com a Dra.Silvia Brandalise/Divulgação

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