Dr. Fernando Medina_divulgação
Risco de lesões pulmonares depende de fatores como tamanho, características da imagem, localização, velocidade de crescimento e perfil do paciente
O Papa Leão XIV foi internado em 13 de outubro para se submeter a uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão. É previsto que o Santo Padre permaneça cerca de uma semana na Policlínica Gemelli, de Roma. O nódulo foi descoberto durante exames de rotina. O oncologista clínico Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas, explicou que nódulos pulmonares são achados comuns em exames de imagem e, na maioria dos casos (95% a 99%), são benignos — geralmente granulomas ou linfonodos intrapulmonares.
A lesão, detalha o médico, foi identificada em estágio muito inicial. Seguindo orientação médica, o pontífice de 71 anos decidiu se submeter a uma cirurgia para removê-la. O Vaticano estima recuperação de cerca de uma semana. O risco de lesões pulmonares depende de fatores como tamanho, características da imagem, localização, velocidade de crescimento e perfil do paciente, como idade, tabagismo e histórico familiar, enumera Medina.
Diretrizes internacionais (Fleischner Society, CHEST e a recente revisão do New England Journal of Medicine, acrescenta o oncologista, orientam o manejo com base em comparação com exames anteriores, estratificação de risco e opções que vão desde vigilância com tomografias até PET-CT, biópsia ou ressecção cirúrgica.
“No caso do Papa, a indicação de cirurgia em estágio inicial e com a lesão circunscrita é compatível com a conduta recomendada para nódulos de risco intermediário a alto em pacientes clinicamente aptos, permitindo diagnóstico definitivo e, se necessário, tratamento precoce”, compara. O Vaticano não informou se há suspeita de malignidade.
O anúncio realizado pelo Papa Leão Leão durante o Angelus, na Praça de São Pedro, no último domingo (11), reforça a importância do acompanhamento médico adequado e da individualização da conduta em nódulos pulmonares, salienta Medina. “Mas é preciso observar que a presença de um nódulo não significa automaticamente câncer”, salienta o médico.
Rastreamento
Tosse persistente, fadiga, rouquidão e perda de peso são sinais de alerta para vários tipos de doença, incluindo o câncer de pulmão. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, apenas 16% dos cânceres de pulmão são diagnosticados em estágio inicial (sem metástase), para o qual a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%. Nos demais estágios, a sobrevida média em cinco anos cai para 18% (15% para homens e 21% para mulheres).
A alta letalidade do câncer de pulmão se deve ao diagnóstico tardio da doença. Medina explica que o rastreamento é um tema importante na medicina preventiva e que contribui com a melhora de prognósticos.
Segundo ele, devem realizar exames preventivos adultos de 50 a 80 anos, com histórico de tabagismo de pelo menos 20 maços ao ano e que atualmente fumam ou pararam de fumar nos últimos 15 anos.
“O método de rastreamento mais indicado é a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) anual”, aconselha. “O benefício do rastreamento está associado a uma redução na mortalidade por câncer de pulmão”.
Tipos
O câncer de pulmão de não pequenas células representa quase 85% de todos os casos. Dentro desses, cerca de 25 a 30% são diagnosticados no estágio III. O primeiro estágio é um câncer localizado (apenas 16% dos diagnósticos ocorrem nesta fase). No segundo estágio, o câncer se espalhou para os nódulos linfáticos próximos, e o quarto representa metástase para regiões distantes do corpo.
“No estágio III, o tumor já se espalhou para os nódulos linfáticos locais ou tecidos próximos ao pulmão, mas não para partes distantes do corpo. É inoperável quando o tumor está muito próximo de estruturas vitais ou espalhou-se demais localmente, inviabilizando a retirada cirúrgica”, esclarece Fernando Medina.
Já o câncer de pequenas células de pulmão (CPCP) representa menos de 20% dos casos. É o mais agressivo de todos os tumores malignos de pulmão e em mais de 60% dos casos, o paciente já se apresenta com doença avançada ao diagnóstico. Dessa forma, os prognósticos são pessimistas. A média de sobrevida dos casos avançados é de apenas três meses. Esse tipo de neoplasia tende a se disseminar precocemente.

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