BEG GIN_premiado_Divulgação
melhor gin…
*Por Arthur Flosi
Quando recebi a confirmação de que a BEG Destilaria havia sido eleita “Best in Class” no International Wine & Spirit Competition (IWSC), em Londres, com 98 pontos e medalha Ouro Outstanding, senti orgulho. Mas, acima de tudo, senti responsabilidade.
Não era apenas uma medalha. Era um recado técnico claro: o melhor gin do mundo, naquele julgamento às cegas, era brasileiro.
E aqui começa o paradoxo.
Enquanto jurados internacionais avaliavam aroma, complexidade, equilíbrio e finalização sem saber a origem do rótulo, parte do mercado brasileiro ainda olhava primeiro para o país estampado na garrafa antes mesmo de provar.
O peso cultural do “importado é melhor”
Eu cresci ouvindo — como muitos de nós — que sofisticação vinha de fora. Que o topo da qualidade falava inglês ou carregava séculos de tradição europeia. Essa narrativa moldou o comportamento do consumidor premium no Brasil por décadas.
Mas competições como o IWSC não premiam história bonita. Premiam precisão sensorial.
Antes do reconhecimento em Londres, já havíamos conquistado quatro medalhas consecutivas de Duplo Ouro no San Francisco World Spirits Awards e 98 pontos no Bartender Spirits Awards. Sempre às cegas. Sempre com critérios técnicos.
Em nenhum momento houve espaço para marketing ou patriotismo. Houve ciência, método e execução.
Lá fora, a lógica é diferente
Quando começamos a atuar em mercados como Estados Unidos e Singapura, percebi algo interessante: a pergunta não era “de onde vem?”, mas “quantos pontos fez?” ou “qual o perfil sensorial?”.
O valor percebido vinha do desempenho.
Isso me fez refletir: será que ainda carregamos, de forma inconsciente, a necessidade de validação externa para acreditar na nossa própria excelência?
A nova geração está mudando o jogo
Vejo uma mudança clara no comportamento dos consumidores mais jovens. A Geração Z bebe menos, mas bebe melhor. Procura autenticidade, processo, origem dos ingredientes. Quer experiência, não ostentação.
Isso é transformador.
Porque quando alguém participa de um teste às cegas e escolhe pela complexidade aromática, pelo equilíbrio, pela textura — sem saber o país de origem — o preconceito desaparece.
A decisão volta a ser técnica.
Não é sobre nacionalismo. É sobre maturidade de mercado.
Eu não defendo que se consuma um produto por ele ser brasileiro. Defendo que ele seja avaliado pelo que entrega.
Se, ao final de uma análise rigorosa, ele supera concorrentes internacionais centenários, então precisamos ter maturidade para reconhecer isso.
Talvez a chamada “síndrome de vira-lata” não esteja nas prateleiras. Talvez esteja no nosso hábito automático de presumir.
O mundo já nos avaliou às cegas — e nos colocou no topo.
Agora, a pergunta que deixo é simples: estamos prontos para fazer o mesmo?

