Um amor de cidadão

Enfim, 7 de setembro, Dia da Pátria, uma data que marca este mês que se inicia nervosamente. Quais os frutos que iremos colher nessa comemoração, em tempo de uma longa Pandemia, com tanto sofrimento e fome, e tantas mortes sem despedida?!

As opiniões são as mais diversas e se multiplicam pelas esquinas e redes sociais. Os posicionamentos são os mais contrastantes a ponto de dividir e separar famílias, despertar diferentes sentimentos em cada cidadão.

            Isso é democracia, sim, mas, falta muito para que a grande maioria tenha realmente consciência do que significa ser cidadão. Felizmente acontecimentos inesperados e descobertas estranhas levam muitos cidadãos a conversar, refletir, comparar, pesquisar e assumir posições múltiplas. Mas, a participação política ainda é um acontecimento distante da juventude e de muitos cidadãos, mesmo na era da Internet.

            De fato, os tempos são outros. Teoricamente vivemos num país democrático. Já se vota aos 16 anos e se elege de forma direta todos os representantes para cargos públicos. No entanto, o 7 de setmebro me leva sempre a sonhar.

            Não é proibido sonhar. Pelo contrário, é importante sonhar, é preciso sonhar. E eu gosto de sonhar, porque vivo de esperança, alimento a esperança e acredito na força daqueles que têm ideal e que sabem lutar. Nem mesmo os acontecimentos estressantes dos dias de hoje me impedem de sonhar, como diz aquele inspirado canto pastoral:

“Ninguém pode prender um sonho e impedir alguém de sonhar. Ninguém pode prender a esperança de um povo sofrido a lutar. Ninguém pode abafar o grito do oprimido clamando Javé-Deus que salva e liberta o seu povo, que ergue o caído e alimenta sua fé. Todo sonho alimenta a história e a vitória do povo a chegar. Vamos juntos que neste caminho, ninguém sobra ou fica prá trás. Para ver este mundo florido, crianças sorrindo, sem fome e sem dor, é preciso cuidar bem da vida, que a vida sofrida se eleva em clamor”.

Sonho com gente de fé, que alimenta a esperança, que luta por vir-a-ser e se une aos sonhadores para construir esta nação, sem violência e com amor. Sonho com o crescimento do número dos que desejam ser politicamente ativos.

            Ser politicamente ativo não implica apenas participar de passeatas ou protestos em praça pública, mas, sim, fazer cumprir os seus direitos de cidadão.

            Ser politicamente ativo é participar das decisões da família e colocá-las em prática; é conhecer os vizinhos de rua e organizar-se para buscar melhores condições de vida; é participar do Grêmio estudantil, da Associação de Bairro, do Conselho de Pais e, se não houver nada disso, começar a organizá-los; é defender a vida e a natureza; é descer do muro e ter coragem de tomar uma posição.

            Ser politicamente ativo é cobrar as obrigações e realizações do síndico do prédio, do vereador representante do bairro, dos congressistas e, também, do Presidente da República. É também conhecer os próprios direitos, seja como estudante, consumidor, proprietário… e lutar para que sejam cumpridos.

            Ser politicamente ativo é estar atualizado nas notícias verdadeiras e discutir com os outros o que está acontecendo com os destinos do país; e confrontar estes acontecimentos com as promessas feitas por aqueles que elegemos. Só assim, se poderá perceber se houve acerto ou erro ao elegê-los, não havendo o risco de errar duas vezes e comprometer o futuro do país que é, na verdade, o nosso próprio futuro.

            Sonho com um futuro melhor para este país, para este povo, mas, colaborando, hoje, fazendo a minha parte, para que haja mais consciência, mais liberdade, mais discernimento e mais participação.

Luiz Carlos F. Magalhães é jornalista e Pároco Emérito  colaborador da Paróquia Santa Rita de Cássia,  Campinas

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