Jornal de Campinas

Simpósio em Campinas debate dependência digital, no sábado, 11 de abril

IOU instalado na Unicamp Credito Matheus Campos

IOU instalado na Unicamp/Crédito: Matheus Campos

Especialistas da Unicamp e da USP irão discutir quando o uso das telas deixa de ser hábito e passa a ser dependência digital

celular
Tema principal será dependência digital / divulgação

O crescimento do tempo de exposição a celulares, redes sociais, vídeos, jogos e outras plataformas digitais está no centro desse simpósio científico marcado para o dia 11 de abril, em Campinas. Com o tema “Dependências Digitais: do hábito à dependência”, o encontro, promovido no auditório do Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço – IOU, na Unicamp, reúne especialistas com atuação em psiquiatria, psicologia, cardiologia e outras áreas da medicina para discutir um problema que já afeta saúde mental, relações familiares, sono, atenção, produtividade, comportamento e sociabilidade.

Voltado a profissionais de saúde convidados, o simpósio parte de um tema que extrapola o ambiente acadêmico e clínico e se impõe como pauta de interesse público. A proposta é discutir como o uso de telas se manifesta em diferentes contextos sociais, de que forma pode evoluir para padrões de dependência e quais sinais devem mobilizar famílias, educadores e profissionais. O debate também aborda questões como regulação emocional, impulsividade, ansiedade, TDAH, falta de limites estruturados, substituição de interações presenciais e influência do design das plataformas digitais sobre padrões de uso contínuo.

Comportamento compulsivo

Um dos pontos centrais do encontro é a discussão sobre a percepção clínica de que a dependência de telas pode aparecer com frequência relevante também em famílias de nível socioeconômico mais alto, nas quais o acesso à tecnologia é amplo e o uso digital costuma se misturar à educação, ao lazer, à comunicação e à organização da rotina. A partir desse recorte, o simpósio promete explorar diferenças de acesso, supervisão parental, usos culturais da tecnologia e fatores que favorecem a passagem do uso cotidiano para um comportamento compulsivo.

O Simpósio ganha forma com a divisão em dois blocos.  Na abertura, participam o Dr. Agrício Crespo, otorrinolaringologista, presidente do IOU e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp; Dr. Ary Ribeiro, cardiologista com PhD pelo Instituto Karolinska e diretor-executivo da Elibré; e Dr. Carlos Cais, psiquiatra com PhD pela Unicamp, sócio-fundador da Cais Curadoria e da Elibré. O primeiro momento do simpósio é voltado à contextualização do tema e à discussão dos dilemas contemporâneos do cuidado em saúde.

No bloco técnico, o evento conta com Dr. Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do PRO-AMITI, do Instituto de Psiquiatria da USP, e do 1º Programa de Dependências Digitais do Brasil; Ana Beatriz Abrahão, psicóloga com especialização em psicopatologia e responsável técnica pela psicologia da Elibré; e Dra. Renata Azevedo, psiquiatra e professora livre-docente do Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. A segunda parte se aprofunda em temas como fatores de risco, sinais de alerta, prevenção, diagnóstico e caminhos possíveis de enfrentamento clínico e interdisciplinar.

 

Serviço

Simpósio científico: Dependência de telas: fatores sociais, comportamentais e clínicos

Data: sábado, 11 de abril de 2026

Horário: 8h30 às 12h30

Local: Auditório do IOU/Unicamp – Av. Pref. José Roberto Magalhães Teixeira, 150 – Cidade Universitária, Campinas – SP,

Organização: Cais Curadoria & Elibré

 

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