Jornal de Campinas

Estudo global reforça que emoções negativas não causam câncer e alerta para desinformação

Andre Sasse Credito Matheus Campos

André Sasse – Crédito: Matheus Campos

No Dia Mundial do Combate ao Câncer, 08 de abril, evidências científicas destacam que estilo de vida tem impacto direto no risco da doença e alertam para mitos que ainda desinformam a população

Andre Sasse oncologista clinico e CEO do Grupo SOnHe Divulgacao
André Sasse, oncologista clínico e CEO do Grupo SOnHe/Divulgação

 Um dos mitos mais difundidos sobre o câncer, a ideia de que emoções como estresse, tristeza ou traumas podem causar a doença, volta a ser contestado pela ciência. Uma metanálise publicada na edição de abril da revista científica Cancer analisou dados de 421.799 participantes acompanhados ao longo do tempo em 22 estudos diferentes, com mais de 35 mil casos de câncer identificados, e não encontrou evidências de relação causal entre fatores emocionais e o surgimento da doença, reforçando que a doença está ligada, principalmente, a aspectos biológicos, ambientais e comportamentais.

O tema ganha ainda mais relevância no contexto do Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 08 de abril, data que chama a atenção para a importância da informação de qualidade na prevenção e no diagnóstico precoce. Para André Sasse, oncologista clínico e CEO do Grupo SOnHe, esclarecer esse tipo de crença é essencial para evitar desinformação e culpa indevida. “Não existe evidência de que tristeza ou estresse causem câncer diretamente. O que pode existir é uma relação indireta, quando pessoas que enfrentam abalos emocionais adotam comportamentos de risco, como tabagismo, compulsão alimentar ou sedentarismo, e são esses fatores que aumentam o risco da doença”, explica. Segundo o especialista, associar o câncer ao estado emocional pode trazer impactos negativos para o paciente. “Essa interpretação leva à culpabilização do paciente, como se ele fosse responsável pelo próprio diagnóstico. O câncer é uma doença multifatorial, que envolve fatores biológicos, ambientais e comportamentais”, afirma.

Nesse cenário, o Grupo SOnHe reforça que a prevenção passa, sobretudo, pela adoção e manutenção de hábitos saudáveis. “Grande parte dos cânceres pode ser evitada com mudanças no estilo de vida. Incentivar a prática regular de atividade física, manter uma alimentação equilibrada, garantir sono de qualidade, evitar consumo excessivo de álcool e não fumar são medidas fundamentais para reduzir riscos e promover saúde”, destaca Sasse.

Outros mitos sobre o câncer que ainda precisam ser superados

Além da relação equivocada com fatores emocionais, outras crenças ainda dificultam o entendimento correto sobre a doença. Uma delas é a ideia de que câncer é sempre hereditário, quando apenas cerca de 5% a 10% dos casos estão ligados à genética, sendo a maioria associada a fatores externos e comportamentais.

Acreditar que a ausência de sintomas significa que o paciente não tem nenhuma doença também é um engano. O fato é que muitos tipos de câncer se desenvolvem de forma silenciosa, o que torna os exames de rotina indispensáveis.

Ainda é equivocado pensar que apenas pessoas idosas desenvolvem câncer, embora a idade seja um fator de risco, a doença pode atingir diferentes faixas etárias, especialmente diante de hábitos de vida inadequados ao longo do tempo. Por fim, há quem acredite que levar uma vida saudável elimina completamente o risco de câncer, quando, na realidade, esses hábitos reduzem significativamente as chances, mas não garantem proteção total, reforçando a importância do acompanhamento médico regular.

Para o especialista, combater a desinformação é uma das principais estratégias no enfrentamento da doença. “Informação correta reduz medo, evita culpa e ajuda as pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre sua saúde”, conclui André Sasse.

 

 Saiba mais: no portal www.sonhe.med.br e nas redes sociais.

 

 

Read Previous

Simpósio em Campinas debate dependência digital, no sábado, 11 de abril

Read Next

Negligência da empresa pode atingir o patrimônio pessoal dos sócios