Pular para o conteúdo principal

Jornal de Campinas

Dia Mundial do Cérebro: especialista explica o que está acelerando o envelhecimento cerebral dos brasileiros

Neurologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), aponta como hábitos do dia a dia podem impactar a memória e a saúde do cérebro

Foto: Freepix

O envelhecimento do cérebro começa muito antes do aparecimento de doenças como a demência e pode ser influenciado por hábitos adotados ao longo da vida. Dormir mal, conviver com estresse constante, manter uma rotina sedentária e passar muitas horas diante de telas são alguns dos fatores que aceleram o declínio das funções cognitivas. O alerta ganha destaque no Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, data dedicada à conscientização sobre a saúde cerebral.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem atualmente com demência no mundo, e cerca de 10 milhões de novos casos são registrados a cada ano. No Brasil, aproximadamente 1,7 milhão de pessoas convivem com a doença, número que pode triplicar até 2050 em razão do envelhecimento da população.
Embora o avanço da idade seja um processo natural, especialistas destacam que grande parte da saúde cerebral está relacionada ao estilo de vida. Alimentação rica em ultraprocessados, tabagismo, consumo frequente de álcool, privação de sono, sedentarismo e excesso de estímulos digitais podem comprometer, ao longo dos anos, a memória, a atenção e outras funções cognitivas.
Mariana Vidal, coordenadora da Unidade Neurológica do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), explica que o estresse crônico está entre os principais fatores que afetam o funcionamento do cérebro. “O estresse crônico aumenta a liberação de hormônios como o cortisol, que, quando permanece elevado por longos períodos, pode prejudicar áreas cerebrais importantes para a memória, o aprendizado e o controle emocional. Muitas pessoas passam a perceber mais esquecimentos, dificuldade de concentração, irritabilidade e fadiga mental”, afirma a especialista.
Outro hábito que merece atenção, segundo a especialista, é o uso excessivo de telas. “O cérebro passa a receber estímulos rápidos e constantes, o que reduz a capacidade de manter a atenção por períodos prolongados, além de favorecer ansiedade e comprometer a qualidade do sono”, explica.
Dormir bem, por outro lado, é uma das medidas mais importantes para preservar a saúde cerebral. Durante o sono, o cérebro consolida memórias, recupera funções cognitivas e elimina substâncias potencialmente tóxicas. Quando esse processo é interrompido de forma frequente, podem surgir prejuízos à memória, à concentração e ao aprendizado.
A alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física também desempenham papel importante na prevenção do declínio cognitivo. Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, peixes e gorduras saudáveis ajudam a proteger o cérebro, enquanto os exercícios físicos favorecem a circulação sanguínea e estimulam conexões entre os neurônios.
Mariana destaca ainda que alguns sinais merecem investigação médica. “Esquecimentos frequentes que interferem na rotina, dificuldade crescente de concentração, lentidão de raciocínio, alterações de comportamento, desorientação ou dificuldade para realizar tarefas habituais não devem ser ignorados, principalmente quando persistem ou evoluem ao longo do tempo”.
Quando o assunto é estimular o cérebro, a neurologista explica que leitura, aprendizado de novas habilidades, música e interação social contribuem para fortalecer a chamada reserva cognitiva. Ela ressalta, porém, que não existe uma estratégia isolada capaz de prevenir doenças neurodegenerativas. “É mito acreditar que apenas jogos ou exercícios específicos sejam suficientes. A saúde cerebral depende de um conjunto de hábitos saudáveis”, afirma.
A boa notícia é que o cérebro mantém, ao longo da vida, uma importante capacidade de adaptação, conhecida como neuroplasticidade. Por isso, mudanças de hábitos, controle adequado de doenças crônicas, redução do estresse e estímulo cognitivo contínuo podem ajudar a desacelerar o envelhecimento cerebral e preservar a qualidade de vida.
A especialista recomenda procurar avaliação neurológica sempre que surgirem alterações persistentes de memória, atenção, linguagem ou comportamento, além de sintomas como desequilíbrio, perda de força motora, dores de cabeça frequentes e tremores. “Quanto mais cedo cuidamos da saúde cerebral, maiores são as chances de envelhecer com autonomia, independência e boa cognição”, conclui.

Read Previous

Eleições 2026: convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto