Jornal de Campinas

Empreendedorismo feminino ganha força com transição de carreira e faturamentos de até R$ 100 mil

Empreendedorismo feminino: Com modelo baseado em consignação e risco zero, redes de consultoras impulsionam novos negócios e movimentam mercado de semijoias

Empreendedorismo feminino impulsionado Divulgacao
Venda de semijoias é opção de renda /Divulgação

O empreendedorismo feminino no Brasil tem encontrado novos caminhos de crescimento através de modelos de negócio mais acessíveis, flexíveis e com menor risco inicial. O avanço acompanha mudanças no mercado de trabalho e o comportamento de mulheres que buscam autonomia financeira, muitas vezes deixando carreiras consolidadas no regime CLT para se dedicarem exclusivamente às vendas diretas. É o caso de empresas como a Veri, marca de semijoias nascida em Campinas (SP), que estruturou uma rede de consultoras com faturamentos mensais que chegam a atingir a marca de R$100 mil.

A trajetória de quem vive o dia a dia da marca consolida o impacto real do modelo. Um exemplo disso é a moradora de Sumaré (SP), Aline Cristina Marino Mendes, de 46 anos. Ela encontrou nas semijoias a oportunidade que precisava para mudar de vida. Ela conciliou as vendas com o emprego em regime CLT por cinco anos e, recentemente, desligou-se definitivamente para focar de forma exclusiva no negócio, alcançando um faturamento mensal expressivo de R$100 mil.

“Mais do que vender acessórios, eu ajudo as mulheres a ficarem lindas, confiantes e especiais. Eu não vendo só semijoia, eu vendo autoestima, e isso é muito gratificante. Para quem quer começar, eu digo: não tenha medo, você não tem nada a perder. Como as peças são consignadas, você não coloca a mão no bolso. É dar o primeiro passo, ter pensamento positivo e começar”, relata Aline.

A revenda também transformou a carreira de Francineia Verônica Eustáquio, de 37 anos, residente em Campinas (SP). Cliente assídua da marca, ela decidiu se tornar consultora há três anos para consumir com desconto, conciliando a atividade com seu cargo de gerência. Em apenas seis meses de atuação, Francineia atingiu o mesmo patamar financeiro de seu emprego anterior de 18 anos de CLT, optando pela dedicação integral à marca.

“O suporte e a estrutura de bastidores que a Veri nos dá, com materiais atualizados de marketing, fotos e vídeos prontos, facilitam e clareiam muito o nosso caminho para finalizar a venda. Minha principal estratégia hoje é o uso pessoal: coloco peças estratégicas da maleta e tudo o que eu uso no dia, eu vendo. Meu conselho para quem quer empreender é criar uma rotina profissional e focar na atenção personalizada, fazendo com que cada cliente se sinta importante”, destaca Francineia.

Esse movimento de Aline e Francineia reflete uma realidade nacional. Segundo levantamento do Sebrae, o Brasil tem mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras, número que segue em crescimento nos últimos anos. O avanço acompanha mudanças no mercado de trabalho e também no comportamento de consumo, impulsionando modelos mais flexíveis e conectados à autonomia financeira. Já no setor de vendas diretas, as mulheres representam a maior parte da força empreendedora, cerca de 60%, de acordo com dados de 2025 da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

Nesse cenário, marcas femininas passaram a enxergar o modelo de consultoras não apenas como estratégia comercial, mas também como uma forma de ampliar oportunidades de empreendedorismo acessível em diferentes regiões do país. A Veri aposta em um modelo baseado em pagamento postecipado, no qual a consultora recebe um mostruário sem precisar realizar investimento inicial.

“O crescimento desse modelo está muito ligado à busca por autonomia com mais segurança. Muitas mulheres querem empreender, mas ainda existe receio em começar sozinha ou fazer um investimento alto logo no início. Quando existe uma estrutura pronta, suporte e um método validado, esse caminho se torna mais acessível”, afirma Veridiana Quirino, fundadora da Veri.

Além da flexibilidade de horários, o formato também vem atraindo mulheres que buscam uma alternativa para complementar a renda familiar ou conquistar maior independência financeira. Na prática, muitas consultoras iniciam a atividade de forma paralela e, com o tempo, conseguem transformar a revenda em principal fonte de renda.

“O impacto vai muito além do financeiro. A mulher começa a desenvolver habilidades de negociação, relacionamento, organização e gestão. Em muitos casos, isso muda completamente a forma como ela se enxerga profissionalmente”, acrescenta a empresária.

Outro fator que ajuda a impulsionar o crescimento do setor é a valorização da venda relacional. Em meio ao avanço da automação e das compras digitais, a recomendação personalizada e o atendimento próximo continuam sendo diferenciais importantes para o consumidor.

Na Veri, a estratégia combina produto, suporte operacional e proximidade com a rede de consultoras. Além das semijoias, a marca oferece aplicativo de controle de vendas, materiais de divulgação, assistência técnica e acesso aos showrooms físicos para reposição e escolha de produtos.

“A consultora não começa do zero. Existe uma estrutura pronta para que ela foque na venda e no relacionamento com a cliente. Isso reduz barreiras e torna o processo muito mais viável para quem quer começar a empreender”, explica Quirino.

 

Crescimento compartilhado

Além da expansão da rede de consultoras, a Veri também aposta no fortalecimento do modelo de franquias de showroom, criando novos níveis de crescimento dentro do próprio ecossistema da marca. A proposta é que consultoras que já possuem uma operação consolidada possam avançar para uma estrutura física, ampliando faturamento, presença regional e atuação como liderança local.

“A ideia é mostrar que existe uma jornada possível de crescimento. Muitas mulheres começam pequenas e, com consistência e suporte, conseguem evoluir dentro do próprio negócio”, finaliza a fundadora da Veri.

 

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