Mário Murakami/Divulgação
O pesquisador do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) Mário Murakami foi anunciado, na sexta-feira (28), como vencedor do Prêmio FCW de Ciência, concedido pela Fundação Conrado Wessel, instituição voltada ao apoio à ciência, à cultura e às artes no Brasil. Nesta edição, o prêmio reconhece uma personalidade científica brasileira com atuação de destaque na área da transição energética. A cerimônia de entrega será no final de outubro, em São Paulo.
Diretor da unidade de Biorrenováveis do CNPEM e presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Murakami atua na área de biotecnologia desde 2008. Suas pesquisas investigam mecanismos moleculares e sistemas microbianos da biodiversidade brasileira para desenvolver biofábricas e rotas biotecnológicas sustentáveis, capazes de transformar biomassa vegetal e resíduos agroindustriais em biocombustíveis, bioquímicos e biomateriais.
“Receber este prêmio é uma grande honra e reforça a contribuição da ciência brasileira para os desafios da transição energética e uma economia de baixo carbono. O Brasil tem enorme potencial para desenvolver soluções sustentáveis conectando suas singularidades, como sua biodiversidade, capacidade consolidada de produção de biomassa e da competência e pioneirismo de seus pesquisadores em bioenergia e agricultura. O CNPEM associado ao ecossistema nacional de pesquisa faz parte dessa trajetória, onde pude gerar conhecimento científico e transformá-los em tecnologias e inovação para o desenvolvimento do país. Compartilho esse reconhecimento com todos que fizeram e continuam fazendo parte dessa história”, afirma Mário Murakami.
O Murakami lidera estudos voltados a desafios estratégicos relacionados à bioenergia, à bioeconomia e tecnologias de baixo carbono. As pesquisas abrangem temas como a despolimerização de resíduos agroindustriais e a bioconversão microbiana, contribuindo para substituir matérias-primas de origem fóssil por alternativas renováveis e de baixo carbono. Entre as iniciativas coordenadas pelo pesquisador está o Programa Fapesp de Pesquisa em Transição Energética, que visa contribuir para a geração, disseminação e aplicação do conhecimento por meio de abordagens científicas, tecnológicas e inovadoras voltadas à transformação dos sistemas energéticos e produtivos rumo a uma economia de baixo carbono, resiliente, competitiva e socialmente inclusiva.
As plataformas biotecnológicas desenvolvidas sob sua liderança são testadas em escala piloto e adaptadas, em parceria com o setor produtivo, a diferentes aplicações. Entre elas está o OpEn, primeira tecnologia nacional para a produção de enzimas voltadas à bioindústria. Desenvolvido a partir de subprodutos do setor sucroenergético, o coquetel enzimático já foi disseminado em dezenas de instituições brasileiras e é utilizado por organizações de mais de dez países.
Outro resultado de destaque é a liderança da pesquisa que culminou na descoberta de uma nova classe de enzima a partir da biodiversidade microbiana brasileira que apresenta um mecanismo altamente eficiente na bioconversão da celulose. Publicado na revista Nature, o estudo abre novas possibilidades para tornar mais eficiente o aproveitamento da biomassa vegetal na produção de biocombustíveis e outros produtos renováveis, contribuindo para a substituição de matérias-primas de origem fóssil.
Além da produção científica, Murakami se destaca pela coordenação de programas de alcance nacional que reúnem universidades, institutos de pesquisa e empresas em torno de desafios relacionados à bioeconomia, aos biorrenováveis e à transição energética. Essas iniciativas buscam fortalecer a soberania tecnológica brasileira e ampliar a participação do país no desenvolvimento de soluções sustentáveis de base biológica.
A Comissão Julgadora do Prêmio FCW de Ciências foi presidida por nomes de instituições como a ABC (Academia Brasileira de Ciências), Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e Fiocruz-Bahia. Em 2025, o Prêmio FCW de Ciências foi entregue à professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da vegetação nativa da região central do Brasil, Mercedes Bustamante.
