Estabelecimento usa robô para atendimento aos clientes/Divulgação
Padaria e restaurante Grão do Vale, de Valinhos, aposta em uso de um robô para enfrentar escassez de mão de obra, agilizar o atendimento e transformar a experiência dos clientes
Os clientes que entram na Grão do Vale Padaria e Restaurante, em Valinhos, já se deparam com uma cena inusitada: acostumados com funcionários da casa, agora se deparam com um robô que, além de ajudar nos trabalhos, também dá boas-vindas e interage com as pessoas. A tecnologia foi incorporada ao atendimento como uma alternativa para ampliar a agilidade dos processos e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência diferente aos clientes. O atendimento humano e robô já são partes entre os integrantes da operação.
A decisão do Grão do Vale Padaria e Restaurante de investir na tecnologia foi motivada, principalmente, pela escassez de mão de obra, um dos principais desafios enfrentados pelo setor de alimentação fora do lar – somente na Região de Campinas existem cerca de 12 mil vagas disponíveis, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel) RMC – além do interesse dos proprietários em levar novidades tecnológicas para Valinhos.
“Queríamos agregar uma novidade tecnológica para a cidade e o público. No ramo de panificação, fomos pioneiros na região. Ao mesmo tempo, a escassez de mão de obra é uma realidade e o robô passou a ser um aliado importante no atendimento”, conta Eduardo Milanez Dalpin, sócio do estabelecimento, que já havia acompanhado a utilização de robôs em outras duas padarias do grupo, localizadas em São Paulo.
A implantação aconteceu de forma integrada ao projeto de abertura da casa, no final do ano passado. Como o modelo definitivo ainda não estava disponível, a Kratos Robotics, representada na região pela Energy Serviços em sua unidade de negócio Energy Bot, precisou realizar uma nova importação. Para que o estabelecimento pudesse iniciar suas atividades já com a solução, foi disponibilizado temporariamente um equipamento semelhante, que permaneceu em operação até a chegada do robô definitivo.
O sócio-proprietário conta que entre as funções desempenhadas pelo equipamento estão o transporte dos pedidos até as mesas, o recolhimento de pratos, talheres e outros itens utilizados pelos clientes para encaminhamento à cozinha e até mesmo a participação nas comemorações de aniversário, quando o robô “canta parabéns” para os clientes.
A chegada do robô também provocou uma mudança na dinâmica da equipe. No início, alguns funcionários demonstraram certa resistência diante da novidade. Com a convivência e a adaptação à tecnologia, porém, a percepção mudou. “A princípio houve um pouco de resistência por parte de alguns funcionários. Com o passar do tempo, eles mesmos perceberam que o robô proporcionava ganho de agilidade e uma melhor divisão das tarefas. Hoje ele é, de fato, um aliado no atendimento”, explica Dalpin.
Além do ganho operacional, o robô acabou assumindo outro papel: o de atração para o público. A reação dos clientes mistura curiosidade, surpresa e alegria, principalmente entre as crianças. Mas os pequenos não são os únicos encantados. Idosos também estão entre os grupos que mais se impressionam com a presença e as funções do robô.
“Tem pessoas que nos marcam na internet e afirmam que se deslocam de pontos distantes da cidade porque o filho ou a filha quer ser atendido pelo ‘robô fofinho’”, conta Dalpin.
Para o empresário, esse efeito demonstra que a tecnologia pode ir além da automação de tarefas. Ela também pode criar uma conexão emocional com o público e se transformar em parte da identidade do estabelecimento.
Para Dalpin, a experiência demonstra que a tecnologia pode ser incorporada ao setor de maneira complementar. “A nossa intenção é continuar utilizando a tecnologia como uma aliada da equipe. O robô chama a atenção, encanta o público e ajuda na agilidade dos processos. Se a demanda continuar aumentando como está, pretendemos avaliar a possibilidade de agregar novos equipamentos”, conclui.
Luís Henrique Machado, CEO da Energy Group, a divisão Energy Bot, voltada para o segmento de robótica, conta que esse mercado está engatinhando no Brasil, com grandes perspectivas de expansão. De olho nesse negócio, o grupo criou a vertical que tem parceria com a Kratos Robotics para aturar na região de Campinas e parte do interior. “Temos em nosso portfólio equipamentos para diversos segmentos, como indústrias, hotelaria, restaurantes, padarias, comércio e indústria”, conta.
“Existe uma oportunidade concreta de levar essas soluções para operações do dia a dia, de maneira gradual, responsável e alinhada às necessidades de cada negócio”, explica Marcus Vinicius Machado, sócio- diretor de Operações da Energy Group. Incialmente, segundo ele, o setor de alimentação fora do lar e hotelaria são os segmentos que estão à frente das procuras pelos robôs.
“No caso dos bares, restaurantes e padarias, além de executar serviços mais rotineiros, como levar e trazer pratos e produtos, deixando o funcionário humano mais livre para executar e ouvir os clientes, o robô também pode auxiliar no cardápio e a entreter as crianças”, completa o sócio diretor de Operações da Energy Group.
“A tecnologia não substitui o talento humano. Ela atua como elemento complementar e potencializador. Nosso objetivo é utilizar a robótica para aumentar a eficiência das empresas, melhorar a experiência dos clientes e permitir que as pessoas concentrem seu trabalho naquilo que exige interação, criatividade, atenção e relacionamento”, afirma.
