Artigo: Trem São Paulo – Campinas e TIC (Trem Intercidades)

  • *Juvenal Luiz Pompeo Mome         

São Paulo e Campinas são duas cidade grandes próximas – separadas por uma distância da ordem de 100 quilômetros. Cada uma delas abrange grandes regiões intermetropolitanas com grande população e cidades menores. Podemos dizer que estão quase interligadas nos trechos urbanos – principalmente no que tange à ferrovia. Quando se vai de São Paulo à Campinas ou vice-versa de trem podemos ver que as cidades (Jundiaí, Valinhos, Campo Limpo, etc.) ao longo da ferrovia estão quase interligadas com bairros, casas, chácaras, etc. o tempo todo do percurso feito.

          Mas uma pergunta sutil: tem trem para fazer isso? Tem?

          Eu mesmo respondo: Não tem! Mas já teve…. E dos bons! Ótimos com pelo me-nos 8 horários em cada sentido. Tinha o Rápido, o Luxo, os Noturnos, o… Deixemos por enquanto de ser saudosistas e analisemos o que tem hoje:`

1) Tráfego São Paulo – Campinas: o que se tem hoje são duas rodovias cada vez mais saturadas com carros, caminhões e ônibus cada vez mais congestionadas. Por exem-plo, ao irmos para São Paulo vindo de Campinas, encontraremos problemas perenes na saída de Campinas, ao atravessarmos Jundiaí e, principalmente, na chegada à São Paulo. Quase sempre – se estivermos com fim de semana longo ou acontecer algum acidente o quadro só piorará. Só que este artigo não é para se comentar esses pro-blemas pois envolve muitos fatores que não vem ao caso no momento.

2) Ferrovia – Temos dois trechos à analisar:

  1. São Paulo – Jundiaí: tráfego em sua maioria de trens de suburbio (TUE´s). Existe algum tráfego de trens de carga também. A via está em melhor estado de conservação devido à esse tráfego e possui alguns gargalos e locais com até 4 vias para uso e ultrapassagens;
  2. Jundiaí – Campinas: A conservação não está boa, tem vários gargalos e, em muitos casos, possui via única de tráfego sòmente feito com trens de carga – poucos trens por dia em cada sentido;

-> Este cenário não é adequado para a interligação entre duas regiões metropolitanas com po-pulação da ordem de 12  e 1,3 milhões de habitantes. Sem contar com as cidades próximas.

          Mas o que fazer para melhorarmos êle???

          Simples! Colocando trens de passageiros entre São Paulo e Campinas os quais poderão prosseguir no futuro (sugestão) para outras cidades tais como:

  • Limeira, Americana, Araraquara, Ribeirão Preto, etc. de um lado;
  • Santos, São Caetano, etc. do outro.

        Como? Para isso propomos um plano simples de fases o qual resumimos abaixo e pode ser implantado ao longo do tempo. Isso de tal modo que uma fase implantada certamente ajudará a implantação da seguinte. Queremos lembrar também que esse plano permite integrações futuras com Ferroanel, trem para Sorocaba (pode-se estudar uma outra via entre Campinas e Sorocaba via Itu algum dia), para São José dos Campos, etc.

         Este plano está resumido à seguir:

-> Fase 1: – Plano com aperfeiçoamento do traçado atual e algumas retificações. Sugerimos os seguintes parâmetros:

  1. Estudar que fazer com a via atual -> gargalos, retificações, passagens por cidades, vias paralelas de ultrapassagens, etc.
  2.  Trens novos (se possível poder-se-á aproveitar algum trem mais antigo e reformá-lo) com velocidade de até 140 km/h;
  3. TIC´s de preferência elétricos;
  4. Tempo de percurso de 1 hora à 1 hora e 15 minutos;
  5. Contorno de estações para trens de carga;
  6. Objetivo de tornar os trens de passageiro um transporte confiável para o público;
  7. Fase curta com investimento menor;
  8. Deverá ter participação da Rumo, MRS, CPTM dentro do possível  e das necessidades;

-> Fase 2: – Plano com a construção de trechos novos. Sugerimos os seguintes parâmetros:

  1. Deverá ter trechos novos para os TIC´s e alguns horários expressos do trem de suburbio evitando tuneis (Botujuru por exemplo), locais de alto grade e outros trechos onde podem acontecer problemas (à serem examinados).
  2. Os trens de carga no trecho deverão passar pelos túneis (a via antiga será a alternativa para isso) e contornar as estações por terceira e quarta vias. Se for necessário, fazer quinta ou sexta via em algumas estações.
  3. Os trens TIC serão para até 200 km/h (de preferência elétricos).
  4. Sugerimos que se tenha horários dos trens de suburbio nas duas vias – na parte nova deverão trafegar os horários expressos;
  5. O tempo de percurso básico para o TIC São Paulo –Campinas será de 50 minutos.
  6. Objetivo de se tornar trens de passageiro um transporte confiável para o público.
  7. Fase mais longa em duração com aproveitamento do já construído na fase anterior;
  8. Deverá ter a participação da Rumo, MRS, CPTM dentro do possível e das necessidades;

-> Fase 3: – Construção de Via Nova Exclusiva Total para os TIC´s. Sugerimos os seguintes parâmetros :

  1. Deverá ser feita uma via exclusiva nova para tempo de 30 à 40 minutos de percurso com trens de até 230 km/h (de preferência elétricos).
  2. Não se deve abandonar as vias antigas pois por ela teremos o tráfego dos trens com carga e da maior parte dos trens de subúrbio (exceto expressos).
  3. A via nova será alternativa eventual para esses trens de subúrbio – principalmente para os horários de trens expressos.
  4. Deverá servir como base de prolongamento futuro para outras cidades tais como Limeira, Araraquara e Ribeirão Preto entre outras.
  5. Objetivo de se tornar trens de passageiro um transporte confiável para o público.
  6. Fase final com mais longa em duração aproveitando-se tudo o que já se foi construído na fase anterior;
  7. Deverá ter a participação da Rumo, MRS, CPTM dentro do possível e necessidades; * Juvenal Luiz Pompeo Mome é Engenheiro Mecânico Especialista em Ferrovias

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