Encontro FEAC e IJC com a Rede de Proteção Socioassistencial em Campinas/Divulgação
TEA: Novo projeto realizado pela Fundação Feac em parceria com o Instituto Jô Clemente tem foco na articulação institucional para qualificar profissionais que atendem pessoas com autismo
No Brasil, há 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população, de acordo com o Censo 2022 do IBGE. O cenário nacional se aproxima de padrões internacionais, como nos Estados Unidos, onde 3,2% das crianças de até 8 anos foram diagnosticadas com TEA, segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos. Entendendo os desafios que envolvem o tema, a Fundação FEAC atua no fortalecimento da rede socioassistencial apoiando projetos que combinam atendimento direto, produção de conhecimento e articulação entre diferentes políticas públicas em Campinas.
Essa atuação parte do entendimento de que o atendimento às pessoas com TEA exige integração entre diferentes áreas, como saúde, educação e assistência social, além da qualificação contínua dos serviços e da organização de fluxos que garantam acesso e continuidade do cuidado ao longo do desenvolvimento. Por isso, a Fundação FEAC defende que a conscientização sobre o autismo e os projetos que atendem essa população precisam ir além do movimento Abril Azul. E compreende também que a inclusão de pessoas com TEA exige respostas integradas ao longo do ciclo de vida, envolvendo acesso qualificado a direitos e serviços, convivência e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e construção de trajetórias de autonomia e inclusão produtiva.
Entre as iniciativas que têm o apoio da Fundação FEAC está o Projeto Inclusão TEA, desenvolvido com o Instituto Jô Clemente, e tem como objetivo a formação de profissionais da rede de proteção e o fortalecimento de Organizações da Sociedade Civil (OSCs). A iniciativa está em fase inicial, voltada à articulação institucional entre as Secretarias Municipais de Saúde, Educação e Assistência Social, e ao levantamento e diagnóstico das organizações que atuam com pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento no município.
O diagnóstico preliminar evidencia desafios estruturais relevantes, como a ausência de dados sistematizados sobre a população com TEA em Campinas, o que enfraquece a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Também foram identificados gargalos como o aumento da fila de espera para diagnóstico e atendimento terapêutico, a ausência de formação continuada para profissionais – o que dificulta a promoção de inclusão efetiva – e a falta de protocolos que formalizem os procedimentos de inclusão dessa população nos serviços socioassistenciais.
O Projeto Inclusão TEA já avançou na articulação com a rede socioassistencial, serviços de saúde e organizações de Campinas, com o objetivo de fortalecer a inclusão de pessoas autistas. “As ações desenvolvidas até o momento possibilitaram o levantamento de demandas e o alinhamento entre os atores locais. O encontro que ocorreu no dia 24 de abril com profissionais da assistência social, representou a continuidade desse processo, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento de estratégias intersetoriais”, afirma Daniela Farias, supervisora de projetos no Instituto Jô Clemente.
Segundo Lais Vieira, analista de projetos da Fundação FEAC, a expectativa é que a iniciativa fortaleça a rede socioassistencial garantindo uma atuação que reconheça as pessoas com TEA e seus direitos, principalmente ao qualificar as práticas de atendimento oferecidas a essa população.
Singularidades no TEA
Outro projeto que contou com o apoio da Fundação FEAC e teve resultados positivos foi o Singularidades no TEA, conduzido pelo PAICA, que atuou no atendimento direto a crianças e adolescentes com diagnóstico de autismo, oferecendo acompanhamento interdisciplinar. Desenvolvido entre março de 2024 e junho de 2025, ele atendeu diretamente 98 crianças e adolescentes com TEA de até 14 anos.
Além dos atendimentos, a iniciativa também promoveu atividades e ações para as famílias, como o “Cuidando de Quem Cuida”, ação voltada à escuta e ao apoio dos responsáveis.
Dados gerais do projeto indicam que a maior parte das habilidades propostas foi alcançada, com destaque para áreas como comportamento (78%), interação social (72%), desenvolvimento motor (72%), relacionamento familiar (66%) e autonomia (64%), além de um número significativo de habilidades ainda em processo de desenvolvimento, demonstrando evolução contínua dos atendidos.
Os resultados evidenciam de forma consistente a efetividade das intervenções realizadas, reforçando a importância do acompanhamento interdisciplinar contínuo, estruturado e individualizado. “O desenvolvimento ocorre de forma progressiva e demanda suporte estruturado ao longo do tempo, com necessidade de mediação, repetição e adaptação das estratégias para consolidação das habilidades e sua aplicação em diferentes contextos”, destaca Roberta Marques, coordenadora técnica do PAICA.
