Março Lilás: campanha contra o câncer que pode ser evitado com vacina

Dra. Talita Paiva – divulgação

Câncer do colo uterino pode ser combatido com vacina

O Centro de Oncologia Campinas investe na orientação como meio eficaz de combater o câncer do colo do útero. Durante todo o mês de março, campanhas nas redes sociais ajudarão pacientes e seguidores a entender que a doença é evitável e oferece altos índices de cura quando detectada precocemente. “A pandemia, infelizmente, interferiu negativamente no diagnóstico da doença. A quantidade de pacientes que nos procuram já em estágios mais graves aumentou, porque as mulheres se descuidaram da prevenção com medo do contágio pelo novo coronavírus”, esclarece a médica Talita Coelho Paiva, do Centro de Oncologia Campinas.

Doença progressiva, o câncer do colo uterino tem melhores prognósticos quanto mais cedo for identificado e tratado. “O rastreio é fundamental. Os exames preventivos (papanicolau) devem começar logo após a primeira relação sexual, porque 100% dos tumores do tipo são causados por HPV”. A oncologista detalha que o câncer do colo do útero é associado a infecções por subtipos do vírus HPV (Papilomavírus Humano), transmitido por meio de relações sexuais. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o HPV-16 e o HPV-18 são responsáveis por quase 70% dos cânceres de colo uterino.

Dada a origem da doença, a vacina é a principal forma de prevenção, reforça Talita, juntamente com o exame citopatológico. O Ministério da Saúde acrescentou ao calendário nacional de vacinação, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas e, em 2017, para meninos. A vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.

Como a vacina é mais eficaz se aplicada antes do início da vida sexual, a faixa etária alvo fixada pelo Ministério da Saúde é de 9 a 14 anos, para meninas, e 11 a 14 anos, para meninos. São necessárias duas doses, com intervalo de seis meses. “Na rede privada é possível tomar a vacina em faixas etárias maiores, a quadrivalente por mulheres até 45 anos e homens até 26, e a bivalente sem limite de idade”, especifica a oncologista.

O preço de cada dose da vacina gira em torno de R$ 500 na rede privada. É importante destacar que mesmo as pessoas vacinadas devem realizar os exames de papanicolau a partir dos 25 e até os 64 anos.  Gestantes e mulheres na menopausa, explica a médica, seguem a mesma recomendação. “Já mulheres submetidas a histerectomia por condições benignas, sem história prévia de diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreio desde que apresentem exames anteriores normais”, observa. “O HPV é um vírus com mais de 80 tipos distintos já identificados, e aproximadamente 30 infectam o trato genital”, acrescenta.

Erradicação

No final do ano passado, o Ministério da Saúde aderiu à estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para acelerar a eliminação do câncer de colo do útero. A Pasta assumiu o compromisso de erradicar a doença no Brasil com medidas de vacinação, de rastreamento e de tratamento. É a primeira vez que os 194 países membros da organização se unem para acabar com um tipo de câncer.

O plano da OMS traça metas e ações a serem implantadas até o ano de 2030, baseadas em vacinação, realização de exame de detecção (papanicolau) e tratamentos eficazes. Há um conjunto de metas que cada país deve cumprir para abrir caminho rumo à erradicação do câncer do colo do útero: vacinação contra o HPV de 90% das meninas até os 15 anos; que 70% das mulheres realizem ao menos dois exames preventivos de alta qualidade, entre os 35 e os 45 anos; e que 90% das lesões precursoras recebam tratamento adequado. De acordo com a OMS, o cumprimento dessas metas é capaz de reduzir a taxa média de incidência de câncer do colo do útero em 10% até 2030.

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