TV Andorinha:o sonho faz 45 anos

– Vai, Fernando, solta o “Tatuzinho”!

O operador de projeção põe no ar um pequeno filme de 16 mm de publicidade e já está de olho no Büll, que precisa soltar o “slide-prefixo” em cima da hora. Enquanto isso, Sérgio, encarregado da mesa de controle, nivela a imagem, observa o osciloscópio, faz tudo para manter o som na altura correta. No instante seguinte, um imprevisto: a imagem nos monitores se deforma totalmente, fazendo René Blum, responsável técnico da estação, correr ao transmissor, consultar os mostradores, acionar alguns dispositivos. Ufa! O problema está resolvido.

Novembro de 1967. “Por enquanto, são imagens da cidade, entrevistas rápidas, algumas inserções comerciais, mas, a TV Andorinha já está pronta para começar de vez”, dizia, emocionado, Júlio Guerreiro, sonhando com sua tv, a que seria a primeira estação de televisão gerada, diretamente, de Campinas.

Depois de três anos retransmitindo a TV Excelsior no Canal 10, a meta era essa: a TV Andorinha, que, aos poucos, ia se instalando num prédio próprio na rua Santo Antônio Claret, no Castelo.

Os planos dos proprietários Júlio e Durval Dias Arruda eram audaciosos: programas variados, como culturais, artísticos, técnicos, sociais etc., entradas “ao vivo”, que seriam, inclusive, passadas para o Canal 9, em São Paulo. Aos domingos, um grande show com artistas locais. Tudo isso com infra-estrutura técnica já montada, câmeras, suíte, ilha de edição, mesa de áudio e até um pequeno estúdio nos cômodos do fundo.

A TV Andorinha caminhava para o sucesso, nada daria errado. Mas, de repente, uma novidade: a TV Excelsior, em São Paulo, começava a enfrentar problemas financeiros e, por escala, a TV Andorinha de Júlio e Durval foi se desacelerando, até um triste “boa noite” de encerramento. Foi o sonho que jamais concretizaram.

Iriam passar mais doze anos para que Campinas tivesse, enfim, a sua estação de tv: em outubro de 1979, inaugurava-se a TV Campinas, hoje EPTV, que, além da retransmissão da Rede Globo, passaria a oferecer a primeira programação local de jornalismo, o seu “Jornal das Sete”, como era chamado pela população campineira.

Em 1983 entrou no ar, em Campinas, a TV Princesa D’Oeste, canal 6, com instalações modestas, também, no Castelo, quase na esquina da rua Jorge Hennings com a Santo Antônio Claret. Além da programação da TV Record de São Paulo, a TV Princesa oferecia diariamente, “ao vivo”, um cardápio televisivo variado e bem simplório, que ia de puro jornalismo a programas de auditório sertanejos e de música popular, passando por transmissões esportivas, programas vespertinos para a mulher e até um programa religioso e outro especializado em mercado automobilístico, tudo gerado a partir de pouquíssimos e limitados equipamentos, duas câmeras, um único estúdio e uma única mesa de corte e edição de vt.

A experiência ousada do Canal 6 sobreviveu até deixar os vínculos com a TV Record, em meados dos anos 80, quando passou a transmitir a programação da TV Manchete, transformando-se na TV Metrópole e, depois, na TV Diário, quando já integrada ao Grupo Diário do Povo. Desde 1990, passou a se chamar TV Brasil (TVB), retransmitindo o SBT, além de uma variada programação local.

A Rede Bandeirantes começou em Campinas, em 1990, com geração de programas locais de jornalismo e variedades, inicialmente com o apoio operacional da produtora independente Tele Cine e estúdios próprios, mais uma vez, na rua Jorge Hennings, no bairro Castelo. Nove anos depois do lançamento da Pedra Fundamental de suas novas instalações no bairro São Gabriel, em 1993, finalmente inaugurou, em 2002, o Complexo de Comunicação João Jorge Saad, de 2156 m2, integrando a tv às estações de rádio da rede, Rádio Bandeirantes AM e Educadora FM, além dos departamentos comercial, financeiro e de pessoal.

EPTV, TVB, Band. Hoje, a tv aberta local está aí produzindo e se desenvolvendo a todo o vapor. Pouca gente se lembra do começo de tudo, da TV Tupi dos anos cinqüenta, da experiência da TV Andorinha, de quarenta anos atrás.

Naqueles dias, todo começo de noite, lá estava eu em frente à TV, pronto para “pegar” a abertura da programação: a “carta de ajuste”, com o índio no alto da tela, um grande círculo no meio de outros círculos menores. De repente, aquela característica sonora inconfundível invadia o ambiente, e, mais uma vez, entrava lá em casa todo um mundo iluminado de sonhos e descobertas.

Está crônica foi publicada há oito anos no Jornal do Castelo, pelo jornalista e escritor Gustavo Osmar Mazzola

mazzola@sigmanet.com.br

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