Acordo Brasil-México para veículos precisa do andamento das reformas

Na apresentação das Pesquisas Sondagem Industrial, Nível de Emprego e Balança Comercial da Regional Campinas do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp) para a Imprensa, nessa terça – 26 de março, o diretor da entidade, José Nunes Filho, comentou sobre o acordo Brasil-México para toda a cadeia de veículos leves. Em vigor desde 19 de março, esse acordo prevê isenção tarifária para esse segmento dos dois países, com exigência de 40% de nacionalização.  Resultado de acordos iniciados em 2002 e evoluído ao longo dos últimos anos, a previsão é que esse acordo de isenção de tarifas também passe a vigorar nos dois países para o segmento de veículos pesados a partir de 2020

O diretor do Ciesp-Campinas, José Nunes Filho, alerta que esse acordo com o México será positivo para o Brasil, se forem feitas todas as reformas necessárias – previdenciária, trabalhista, administrativa e tributária. “Caso essas reformas não sejam feitas, o Brasil perde competitividade em relação ao México e as empresas automotivas desse segmento podem transferir suas operações para aquele país. Isso pode acontecer em poucos anos, uma vez que algumas dessas empresas automotivas também têm plantas industriais no México”, explica Nunes.

Como exemplo das dificuldades que o setor automotivo vem atravessando nos últimos anos, o diretor citou a diminuição das indústrias de veículos nas cidades do ‘ABC Paulista’, a semelhança do que já ocorreu com a cidade de Detroit, nos Estados Unidos.

Com relação ao nível de emprego, a indústria da região de Campinas registrou saldo positivo de 50 contratações em fevereiro. Com as 450 demissões de janeiro, o saldo é negativo com 400 demissões. Para o diretor do Ciesp-Campinas, esse número de contratações, mesmo que pequeno em fevereiro, traz uma expectativa positiva para a indústria regional. “Os números da Sondagem Industrial apontam para uma estabilidade e em alguns aspectos até crescimento, quando avaliamos volume de produção (aumento), faturamento (aumento), inadimplência (estável) e lucratividade (estável)”, justificou Nunes.

A Sondagem Industrial do Ciesp-Campinas apontou que 81% das empresas associadas consideram   ‘fundamental e obrigatório e importante’, a necessidade de crédito a juros mais baixos para a retomada  do crescimento industrial.

A balança comercial da Região Metropolitana de Campinas está com um déficit de US$ 1,12 milhão no acumulado dos dois primeiros meses de 2019. Nesse período, as exportações foram de US$ 504,4 milhões e as importações  US$ 1,626 milhões.  A expectativa do Ciesp-Campinas é que a partir de março, aconteçam novos pedidos de compras, em razão do mercado internacional já ter superado a expectativa em relação ao resultado das eleições no Brasil.

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