Artigo: Tecnologia por si só

Due Residenziale condomínio residencial e comercial/Clovis Cordeiro

*Adalberto Santos

“Tecnologia por si só, não é segurança, ela é apenas uma das ferramentas importantes para o aumento da eficiência e eficácia da segurança”.

Ao longo da minha carreira, já produzi mais de 500 projetos de segurança em condomínios de alto padrão, em especial os horizontais. Obviamente, todos sabem que quando uma pessoa considera a possibilidade de ir morar em um condomínio assim, a primeira coisa que ela se preocupa é com a segurança.

Quando um empreendedor nos chama para produzir um projeto de segurança, aqueles que nunca tiveram contato com nosso trabalho, nos pedem assim: “Queremos um projeto de segurança para nosso empreendimento”, e, normalmente, eu traduzo essa solicitação para o que realmente ele está nos pedindo: “Quero um projeto com câmeras e alarmes”. Normalmente, quando vou dar uma palestra, muitos proprietários de casas em condomínios me perguntam: “aqui vai ter segurança”? E imediatamente eu traduzo essa pergunta para o que estão me perguntando: “Aqui vão ter câmeras, alarmes etc.?”

Seria muito conveniente para nós simplesmente responder “sim”, contudo, para um profissional com conhecimento de causa, isso seria no mínimo antiético e irresponsável, pois somente a tecnologia não é segurança, acreditar nisso é criar uma falsa sensação de segurança, que é muito pior que um ambiente  inseguro.

Realmente criar um ambiente com bons níveis de mitigação de riscos exige muito mais que tecnologia, exige uma análise e aplicação de outros meios, que são: meios físicos (arquitetura de segurança), meios humanos (vigilantes, controladores de acesso, etc.), meios tecnológicos (câmeras, alarmes), meios organizacionais (normas e procedimentos de conduta segura) e meios sociais (os próprios moradores e seu comportamento (in)seguro).

A partir de hoje, iremos comentar cada um desses meios, um de cada vez, para que não nos tornemos exaustivos ao discorrer cada um desses itens e para que se possa haver maior absorção em cada um desses temas, assim falaremos dessa vez do princípio de tudo: “a arquitetura de segurança”.

Quando se inicia um plano diretor de segurança para um residencial, a primeira coisa que temos que avaliar são as questões físicas desse projeto, como por exemplo:

  • Uma infra-estrutura planejada para prever o futuro do condomínio e dos possíveis up grades
  • A altura dos fechamentos e sua tipologia, permitindo maximizar a proteção e atender possíveis exigências legais
  • O quanto o paisagismo projetado não irá comprometer a segurança
  • As portarias quanto à visibilidade, mobilidade e operacionalidade
  • Os tipos de mecanismo físico de segurança a serem aplicados, para não deixar o condomínio com aspecto de presidio
  • Qual o conceito principal para que nunca deixemos que a proteção ao patrimônio seja prioridade em detrimento da proteção da vida
  • Entre tantos outros itens que devem ser avaliados para se produzir um verdadeiro e comprometido projeto de segurança

O empreendedor que se preocupa com esses itens agrega muito mais que preço ao seu produto, ele agrega valor.

No próximo artigo iremos falar de meios humanos; um fator complicado, mas de suma  importância em todo o processo.   

* Adalberto Santos é especialista em segurança e diretor superintendente da Sigmacon. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança.

Adalberto Santos/Divulgação

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