Educação sexual “à base de pornografia” pode impactar decisões e caráter do indivíduo

Especialista alerta para a discussão da cultura do estupro e inabilidade contemporânea de lidar com próprios sentimentos
 
A discussão sobre “cultura do estupro” tem trazido à tona, contribuições de especialistas de diversas áreas. As polêmicas, cujos debates urgem e são necessários, colocam em cena evidências da necessidade de avaliação dos fenômenos atuais e seus possíveis indicadores de alerta.Recentemente, vimos em nosso país, mais um caso de comoção nacional sobre estupro, uma evidência que vivemos diante do dilema da tão falada “educação sexual” e o exercício da própria sexualidade, do respeito ao limite e espaço alheio.É o que argumenta a terapeuta tântrica, Abigail Deva Dasi. Para ela, em um mundo de transformações velozes, com forte influência das relações superficiais, inclusive no ambiente familiar, o entendimento das relações individuais com próprio corpo precisa ser repensado.“Todos nós nascemos dotados de sexualidade. Contudo, esta só é completamente desenvolvida com o seccionar da fase infantil, do amor infantil para o amor adulto. E quem nos dá essa disposição para transitar de um amor para o outro, este seccionar, é a energia masculina, a figura de pai”, afirma.Para Dasi, os impactos da educação sexual, principalmente para os nascidos do gênero masculino, podem gerar graves consequências no campo social.“O que esperar de homens adultos que foram educados sexualmente à base de pornografia e revistas, porque os próprios pais não tiveram uma educação sexual adequada? O que esperar de adultos (independente de gênero) que não sabem lidar com os seus sentimentos, papéis, energias masculinas e femininas que estão completamente fora de lugar?”, questiona.Para ela, somente o olhar diferenciado para a educação pode trazer mudanças para o momento atual, com contribuições profundas para o futuro.“Educação sexual não significa ensinar crianças e adolescentes a fazerem sexo. Educar sexualmente e ensinar sobre sexualidade é ensinar crianças e adolescentes a respeitarem o próprio corpo, entenderem os próprios sentimentos, os próprios limites e, principalmente, a respeitarem os limites, sentimentos e corpos alheios. Ser livre sexualmente, ser livre para se expressar só é de fato liberdade quando esta não ultrapassa a liberdade alheia”, enfatiza.Segundo a terapeuta, enfrentar o sentimento infantil de não querer entender que limites são necessários, é o primeiro passo para se assumir as responsabilidades das escolhas feitas. Respeitar o corpo do outro deveria, dos sentimentos ao aspecto físico, em primeira instância, ser algo natural.“Não há como mudar sem sair da zona de conforto, sem querer enfrentar a dor, deixar a nostalgia da vida de criança e encarar de peito aberto as responsabilidades por cada escolha que fazemos. Para cada escolha deve haver uma renúncia. E no quesito sexualidade, renúncia significa tomar o amor recebido de seus pais, aceitar as escolhas e a história deles da forma como foi, deixar o mundo infantil de cobrá-los pelo amor que se acredita não ter recebido, e se tornar um adulto que é pai e mãe de sua própria criança interior, que cuida de sua própria criança. Em outras palavras, é ser responsável pelas suas escolhas independentemente de gênero”, explica.

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