Pesquisa da Abrasel mostra os impactos da crise nos bares e restaurantes da RMC

Em Campinas os planos de saúde também registram várias reclamações

Entidade deve ser contatada quando o consumidor se sentir prejudicado

83% dos estabelecimentos estão sob risco de fechar a porta em definitivo

Campinas, 02 de abril de 2021 – Sete em cada dez bares e restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão sem pagar o Simples; 83% usaram a lei dos salários em 2020 (MP 936); 83% vêm que o negócio está em risco de fechar. Estes são alguns dos impactos causados pelas medidas de restrições de atendimento e vendas decorrentes do isolamento para combate à Covid-19. Os números fazem parte da pesquisa “Situação Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar”, realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel nacional) junto aos associados.

O recorte dos dados da RMC, na pesquisa realizada em todo o Estado de São Paulo no mês de fevereiro, traz um panorama do setor sobre Perfil (66% são restaurantes e 20% são bares e lanchonetes, dos quais 86% são micro empresas).

No tocante a Perda de receitas, 66% dos estabelecimentos afirmaram que fecharam janeiro no vermelho. Quase 70% das empresas responderam que devem o Simples Nacional, e as dívidas com aluguel atingem mais da metade das empresas. 53% dos empresários têm medo de sair do Simples, ainda mais quando o alto endividamento agrava a situação, sendo que 63% das empresas tomaram empréstimos durante a crise no ano passado;

Na questão sobre empregos, 83% dos donos de bares e restaurantes afirmaram ter usado a lei dos salários em 2020 (MP 936). Na média, as empresas têm de dar cinco meses de estabilidade para os funcionários que receberam o benefício.

Com o fim da MP no inicio deste ano e o agravamento da situação pela segunda onda da pandemia, 83% afirmam que o negócios está em risco, com grandes chances de fechar se não houver novo auxílio para pagamento de salário / redução da jornada.

Das empresas que responderam a pesquisa, 63% fizeram empréstimos durante o ano passado. Para 77% deles, a carência para pagamento já venceu.

Outra questão levantada na pesquisa diz respeito ao aumento de custos para os estabelecimentos. Nada menos do que 66% deles têm a percepção de que os custos com mercadorias subiram mais de 20% em relação a antes da crise. Para reduzir os prejuízos, 82% tiveram de aumentar os preços dos itens do cardápio, mas apenas 2% dos respondentes puderam aumentar preços acima de 20%

GRAVIDADE

Para o presidente da Abrasel de Campinas e região, Matheus Mason, os dados relevados pela pesquisa reforçam a gravidade das dificuldades enfrentadas pelos bares e restaurantes, especialmente da região, onde 25% das empresas do setor tiveram de encerrar suas atividades ao longo do ano passado, e cerca de 25 mil empregos foram eliminados pelo setor da RMC ao longo da pandemia.

Segundo Mason, os dados reforçam a necessidade de uma maior atenção por parte das autoridades, no sentido de concessões de auxílios para o setor. “Na esfera estadual, tivemos o recuo do aumento do ICMS e linha de crédito para bares e restaurantes. No âmbito municipal, estamos conversando com as prefeituras, para viabilizar um pacote de auxílio, sendo que algumas cidades já adiaram o pagamento de impostos, mas ainda é insuficiente, por isso estamos apresentando uma proposta unificada, prevendo desconto na água e outras taxas”, recorda.

No tocante ao governo federal, a ampliação da MP 936 é vital para as empresas de todos os setores, mas o adiamento constante tem preocupado os empresários, sem caixa para pagar os salários.

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